26 de abr de 2005

Deus: narrativa literária

Fiquei intrigado com a proposta de Jack Miles, crítico literário, no livro Deus - uma biografia, da Companhia das Letras. Em princípio, o autor deixa claro que o objetivo não é analisar do ponto de vista religioso ou mesmo filosófico, mas a partir da literatura, interpretando a bíblia como obra literária, tendo como principal personagem, Deus. O desenvolvimento do personagem, suas principais características, a personalidade complexa... Utilizando como fonte de trabalho o Tanach, a bíblia hebraica, os primeiros livros do Antigo Testamento, que, se comparados com a bíblia, apresentam uma inversão no tocante à ordem dos livros do Pentateuco.
Intrigado, cinqüenta páginas depois, decepcionado. Tive a nítida impressão de tratar-se apenas de uma especulação narrativa, uma crítica romanceada, não mais que isso. Difícil exercer o direito de não ler, um dos mandamentos empregados por Daniel Pennac em seu livro, Como um romance. Mesmo não gostando, sempre leio, somente para saber se o livro realmente é ruim. E quase sempre esqueço quando o li. Porém, lembrei-me de Lin Yutang que disse certa vez, talvez não com estas palavras: "Livros? Os outros que os leiam." numa alusão sobre a impossibilidade para lermos todos os livros que nos cercam. Pois bem. Enchi-me de coragem e encerrei a leitura de Miles com essa frase: Os outros que o leiam.

18 de abr de 2005

Janelas de Eduardo Galeano

Terminei de ler mais um belo livro de Eduardo Gaelano: As palavras andantes, LPM, 1994. Infelizmente a mídia não tem dado o devido reconhecimento a este autor uruguaio. Pior: congelaram-no com As veias abertas da América Latina, ivro que toda juventude deveria ler. Mas o autor abandonou esta linha que eu considero carregada de um romantismo aguerrido. Tornou-se contador de histórias. Melhor, colecionador de histórias da América, do Novo Mundo. Ao ler seus livros, sentimo-nos como parte de uma América una, embora dividida pelas línguas. Sentimento de que temos e somos donos de uma imensa e rica tradição cultural que permeia toda américa. Tem um livro que pretendo ler, uma série de causos, narrativas, sobre futebol. Não me lembro do título.
Pois bem... voltemos ao livro que faz jus a este texto. Livro bem elaborado, com xilogravuras de Francisco Borges, histórias maravilhosas. Pequenas narrativas simbólicas, seres fantásticos e janelas, muitas janelas. Cada janela um olhar especial sobre o mundo, sentimentos e idéias. Não vou me estender. Vou terminar com o seguinte texto:
JANELA SOBRE A UTOPIA
Ela está no horizonte - diz Fernando Birri. - Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.

17 de abr de 2005

Muito tempo depois...

Quase um mês sem postar. Estava estudando, preparando-me para provas do concurso público (fiz recentemente para a prefeitura do Rio). Sempre fico com a consciência pesada nestes momentos: se escrevo para o blog, não estou estudando... se estudo, quero postar por aqui.... fora o estudo o que mais fiz? Nada. Quer dizer, saí, vi um filme ou outro. Para mim o que significa exatamente "nada"? Não li, ou melhor, não li algo que fosse relevante. Como disse uma vez Lin Yutang, autor chinês, sem a leitura prazerosa a conversa de um homem fica sem tempero, sem sal. É isto. Tornei-me um homem de uma conversa sem gosto por esses dias.