30 de mai de 2005

Pega na mentira!!!

Tornado no interior paulista, com grande prejuízo na lavoura. Não teve jeito: caiu mais uma mentira. Passei todo o período escolar ouvindo que no Brasil não havia tornado, furacão... Ano passado tivemos um furacão de porte médio na região Sul. Outra mentira? Está na África. Melhor, nas duas Áfricas: África branca e, mais embaixo, a África negra. Hoje ninguém tem coragem de afirmar tal separação. Estudei isso em Geografia e me sinto enganado.

13 de mai de 2005

O mar

Salim Miguel decididamente é um dos melhores autores brasileiros da atualidade. Sabe construir uma narrativa densa sem perder a delicadeza. Em Mare nostrum, da editora Record,2004, um romance " desmontável", como o póprio autor sugere, temos a sensibilidade de personagens carismáticas como seo Neno e a força bruta e misteriosa do mar, presente em todos os capítulos. Não há necessariamente uma ordem para a leitura, é possível ler a partir de várias frentes, mas o que faz com que não se torne simplesmemte um livro de contos são os pontos de contatos presente por toda a narrativa. Lembrou-me bastante de uma canção do grupo musical português Madredeus, que poderia servir como uma bela trilha sonora. Está no CD O espírito da paz, de 1994. A música se chama "O mar":
O mar
Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
nem sei se vale apena
tentar-vos descrever
o mar
o mar
e eu aqui fui ficando
só para o poder ver
e fui envelhecendo
sem nunca perceber
o mar
o mar
Pedro Ayres Magalhães
Quem melhor do que os portugueses para entender a poética do mar?

3 de mai de 2005

O mais belo enigma do Oriente é a cultura árabe

Quem conhece Alberto Mussa? Infelizmente poucos, eu acho. Tive a sorte do meu amigo Henrique insistir na leitura desse escritor severamente desconhecido. Ele é autor de um romance interessante: O enigma de Qaf, da Record, publicado em 2004. A narrativa é um passeio pela língua árabe e as mitologias que cercam essa cultura exótica aos nossos olhos. Lembra vagamente Borges com a exploração de uma lógica absurda, complexa e encantatória em muitos de seus textos, mas trata-se da cultura, da própria língua e da sofisticação do estudo da poesia pré-islâmica, o ponto forte. Há também o enigma, o autor não favorece com as pistas, porém, sinceramente, quem se importa? Estão lá situações, personagens como Xerazade e tantos outros, que o enigma pode ser desvendado numa próxima releitura. Vale a pena.