1 de jan. de 2008

Um novo ano!!!


Eis que nasce um novo ano!!! As esperanças se renovam, tudo é festa... Torcer para que possamos fazer mais, que possamos ser mais humildes, mais objetivos, mais felizes, mais humanos, mais divertidos, mais amigos...

17 de dez. de 2007

O livro negro dos vampiros


Meu grande amigo Silvio está lançando, junto com outros autores, O livro negro dos vampiros. Não considero um livro de terror, mas um gênero que Clive Baker espera ser reconhecido por todos: o fantástico, capaz de englobar esses escritores que brincam com a morte, o mistério e o sobrenatural, que nos cativam, como Stephen King, o próprio Baker, Anne Rice e tantos outros. Por aqui, conheço apenas André Vianco, autor que vem fazendo um grande sucesso. Eis aqui um release do livro:



Antologia reúne 53 contos sobre vampiros, da Editora Andross

Os amantes do gênero ganham, a partir deste mês, um prato cheio para saciar sua sede de sangue: O Livro Negro dos Vampiros (Andross Editora, 288 páginas, R$ 29). Com lançamento marcado para dia 16 de dezembro, a obra reúne 53 contos de novos autores, selecionados criteriosamente, e também de alguns escritores do gênero exclusivamente convidados para encabeçarem a obra e darem boas-vindas aos estreantes. A atriz, escritora e cineasta Liz Marins, criadora da personagem Liz Vamp e do Dia dos Vampiros; Octavio Cariello, professor de roteiro e desenho da Quanta Academia e desenhista da versão para os quadrinhos de A Rainha dos Condenados, de Anne Rice; e Kizzy Ysatis, um dos maiores nomes da literatura fantástica nacional da atualidade, autor do premiado Clube dos Imortais – A Nova Quimera dos Vampiros, são alguns deles. Ysatis, inclusive, empresta todo seu conhecimento sobre o assunto no prefácio de O Livro Negro dos Vampiros. A organização é do escritor Claudio Brites, que analisou pouco mais de 300 contos durante oito meses para chegar aos 53 selecionados. Há autores de vários estados brasileiros e também de Portugal. Esta é a 14ª antologia que a Andross lança em seus três anos de mercado. Por este sistema, a editora já publicou cerca de 500 autores, de 14 a 68 anos, do ensino médio ao doutorado, amadores e profissionais. Alguns dos que estrearam nas antologias da Andross hoje já têm obras publicadas individualmente por outras editoras, como o próprio Kizzy Ysatis.

5 de out. de 2007

Ainda que atrasado...



Foi ontem o equivalente a um minuto de silêncio para chamar a atenção para o que está ocorrendo na birmânia (Burma, em inglês). Como disse, um pouco atrasado...

30 de set. de 2007

CONECTADO: o livro


Foi uma bela surpresa ler Conectado, de Juliano Spyer, da Jorge Zahar Editor. O livro conta um pouco sobre a história da internet e discute sobre as possibilidades de construção de redes sociais, como o relato de casos de sucesso como o "Leia Livro", da Secretaria do Estado de São Paulo. A partir de uma linguagem simples, Spyer apresenta as principais ferramentas para elaboração de rede social; porém o melhor do livro é o entusiasmo do autor no que se refere ao grande papel que a internet pode assumir nos próximos anos: a confiança, seja por meio de blogs, fóruns etc, no uso social, gerando boas idéias e unindo pessoas com uma causa em comum. Comprei por acaso este livro, folheei algumas páginas, fique interessado no sucesso do "Leia livro" e o "Viva São Paulo", ambos fruto do trabalho desse historiador e especialista em mídia social.

15 de set. de 2007

Urbana Legio omnia vincit

Cheguei apressado em casa para assistir "Por toda minha vida", especial sobre a banda Legião Urbana, ontem à noite no canal Globo. Fiquei impressionado com o ator Bruce Gomlevsky. Nas cenas em que atuava como Renato Russo, ele estava maravilhoso, a milhas de distância dos outros atores. Arrependo-me de não tê-lo visto no musical sobre Renato Russo, que esteve em cartaz por um bom tempo na cidade do Rio de Janeiro. O programa foi emocionante, com os depoimentos, a dramatização, as músicas. Cada vez que surgia o Legião Urbana tocando, eram pensamentos, memórias de uma adolescência feliz no casamento com o Rock-BR que saltavam dos meus olhos. Quando ele morreu, juntamo-nos para realizarmos um espetáculo no auditório do curso de Letras, da UERJ. Na época, fazia parte do diretório acadêmico. Convidamos Arthur Dapieve para realizar uma palestra, distribuímos CD´s, e trouxemos uma banda cover do Legião. Foi uma bela homenagem. Lembro que alguns, ao final da festa, bêbados, caíam ao chão, tristes, chorando a morte de Renato Russo. Voltando ao programa...Minha única crítica, singela, vai para Fernanda Lima,. Mas que roupas eram aquelas que a mulher vestia? E que apresentação mais tatibitate: pausas longas no discurso, risos autocensurados, parecia bem desconfortável no papel. Mais uma prova de que somente beleza não resolve muito na telinha. O programa termina e ficou em mim, e acredito que para muitos, um gostinho de quero mais. Dizem que vem por aí uma cinebiografia. Esperar para ver e se emocionar. Enquanto isso, reler o livro de Arthur Dapieve da coleção "Perfil", da Relume Dumará e ouvir os CD´s, de preferência no volume alto!

14 de set. de 2007

Novas tecnologias, novos acidentes

Acho que esta frase é de Baudrillard: "Toda nova tecnologia cria um novo acidente". Bem sucinta, percebo a cada dia, em sala de aula, principalmente, como acontece. Os novos celulares com MP3, por exemplo, estão mais do que nunca acessíveis. Parece que é o sonho dos adolescentes. Pois, bem, tem se tornado uma praga em sala de aula, por ser uma nova tecnologia, é preciso estabelecer regras de conduta. Os garotos assistem várias vezes as aulas com o fone de ouvido, ou pior, querem deixar tocar para que o amigo ouça e conheça novas músicas. Mesmo conversando e pedindo para que desliguem, sempre tem alguém que procura deixar no volume mínimo... Mais um fator de distração que acaba afastando o aluno da aula. Ideal seria aproveitar como um instrumento pedagógico, mas sinto que estamos, professores e conteúdos, cada vez mais distantes do aluno, portador de mp3, câmera e celulares. Falta o salto tecnológico para o giz e o quadro verde no cotidiano da escola. Claro que existe, porém ainda não acessível para muitos. Enquanto isso, torna-se importante aprender a conviver com esse novo acidente, que está ocorrendo também nos ônibus. Daqui a pouco teremos um adesivo (e eu espero que venha logo!) no ônibus e em vários outros lugares: "proibido celular com mp3".

5 de mar. de 2007

Peripécias com Memórias póstumas de Brás Cubas

Volta às aulas, uma amiga que sempre me ajudou com a burocracia dos diários de classe me pede ajuda: o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para a filha, que está no terceiro ano e precisa fazer um trabalho. De imediato disse que sim, porém que vasculhasse primeiro na biblioteca da escola. Não havia mais na biblioteca... Procurei na minha. Achei que tivesse uma edição simples para emprestar. Tenho somente um que faz parte de uma coleção de trinta e um livros, obra completa de Machado de Assis, da W. M. Jackson Inc. Editores, de 1957, por sinal muito bem conservada. Nossa... Emprestar um livro de 1957, capa dura, maravilhoso, para uma adolescente, que já soube não é fã de leitura, é inviável. Tive medo que perdesse ou rasgasse e depois me desse, a título de compensação, um exemplar da editora Ática, para estudantes secundaristas. Pedi um prazo, para comprar outra edição, sem que a mãe soubesse. Busquei no Méier, bairro zona norte do Rio de Janeiro, perto de onde moro, e nada encontrei. Não há sequer uma livraria, muito menos um sebo. Há dois anos atrás havia uma livraria, Sodiler, na Dias da Cruz, principal rua do bairro. Há seis anos atrás, havia dois sebos, muito bons. Hoje há o Gibicenter, outrora bom sebo que parece estar rumando para falência. Sem tempo, fui procurar no município em que trabalho, Itaboraí, a nova Canaã, haja vista a refinaria que a Petrobrás deve montar nos próximos anos. Nenhuma livraria. Nenhum sebo. um deserto para um leitor um pouco mais refinado. E mesmo comum. Terei que voltar ao meu paraíso particular de sebos na minha adolescência; o entorno da praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro. Lembro que passava algumas boas horas naquelas ruas, Regente Feijó, entre outras, passeando pelos livros, tentando encontrar alguma peça rara por uma ninharia. Nunca vou me esquecer de um sebo, que mais parecia um corredor, com uma senhora negra e gorda ao fundo com um enorme gato sempre vigiando. Cada vez que adentrava dava pra sentir o cheiro forte de mofo, dava pra perceber o ar denso... Como ela conseguia respirar ali, Meu Deus? ela ficava o tempo todo lá atrás; conhecia, no meio daquela montanha de livros, a ordem que estabelecera para os assuntos. Preciso encontrá-la novamente. Faz quinze dias e ainda não encontrei uma edição simples para comprar e emprestar à adolescente,sem que a mãe perceba. Às vezes sinto que deveria ser menos mesquinho e emprestar a tal edição. Mas o que farei com o medo de perdê-la?

16 de fev. de 2007

Enfim, uma proposta interessante sobre maioridade penal

Não sou a favor de reduzir a idade de 18 anos para 16 em um processo penal. Pura e simplesmente só iria aumentar o número de presos. Na verdade, precisamos saber o queremos fazer com os presidiários, tal pergunta que a sociedade precisa responder. Mas, com o clamor da população a respeito da tragédia de João Hélio, é inevitável que algo seja feito. Várias propostas surgiram. Dentre elas, uma que apareceu no jornal O Dia, bastante interessante. Abaixo, um trecho da notícia, veiculada no dia 14 de fevereiro:
"O juiz Carlos Borges, da Vara de Execuções Penais, é o autor da proposta de alteração na legislação que mais agradou o governador. Pelo projeto, juízes poderiam antecipar a maioridade penal de menores de 18 anos, dependendo da gravidade do crime. Equipe de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais avaliaria a consciência do jovem e poderia declarar a maioridade do adolescente. No Congresso, há seis Propostas de Emenda à Constituição sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 ou até 14 anos. Outra idéia em discussão é criar um fundo que reverteria para as vítimas da violência, com bens apreendidos de criminosos."

13 de fev. de 2007

A morte da esperança








Hannah Arendt dizia que o objetivo da sociedade é preparar a própria sociedade para os que virão. Isso talvez tenha sido o principal fator que desencadeou a indignação e revolta com a morte de menino João Hélio, provocando uma comoção nacional. Todo esforço dos pais na criação do filho, o futuro da família, de repente morto de forma bárbara. Como se não houvesse mais possibilidade de futuro (ainda há, pois existe a irmã de João, que sobreviveu à tragédia). A partir desse ponto inicia-se uma série de discussões, entre elas a maioridade penal, policiamento etc. Em primeiro lugar, o apoio à família, apoio incondicional, pois não há como indagar se o pequeno João deveria estar sem o cinto ou não, se eles deveriam passar por ali ou não, se a mãe deveria ficar na frente dos bandidos ou não. Não sabemos como seria nossa reação diante desse crime. Em segundo lugar, o Mal existe. por mais que se possa explicar através do olhar social, policial ou ecônomico, entre tantos outros, o Mal existe no coração do homem. Sendo cometido por jovens, entre 16 e 23 anos, nos assusta mais ainda porque pressupõe uma geração vindoura amoral, sem respeito pela dignidade humana. A resposta deve ser mais violenta que o problema? Se pudéssemos cumprir ao pé da letra a Lei e a Constituição Federal, seríamos um país deveras melhor. Mas ainda não podemos, porque cada um de nós, em sua atividade, não faz ou produz que lhe é devido em prol da sociedade. Visto por tal ângulo, somos também, todos nós, culpados por esse crime, votamos mal, cobramos mal, buscamos sempre uma forma de ludibriar o sistema... A resposta talvez esteja no desdobramento do resgate e da punição. Punir quem merece ser punido, resgatar os que forem possíveis. Alterar a maioridade penal não irá solucionar, mas é preciso que haja algum tipo de acompanhamento para que se possa dizer, com segurança, que é possível tal sujeito retornar ao convívio da sociedade. Desnecessário dizer que devemos também, no que se refere aos nossos filhos, indagar sobre a seguinte pergunta que Sócrates, filósofo grego, já questionava: "que futuro queremos/daremos para nossos filhos?"

Quadro de Vassili Kandisnky

5 de fev. de 2007

Povo X Sambódromo?

Há alguns dias vários jornais apresentam matérias destacando a presença do povo, em massa, nos ensaios das escolas de samba no Sambódromo. Eu mesmo já presenciei, passando por ali, numa sexta-feira à noite. Não há surpresa. Com o ingresso para arquibancada custando cr$110,00 (por pessoa) ,a melhor opção, claro, são os ensaios. Para quem gosta, e paga, não é desperdício, mas investimento, como se estivesse comprando um pedacinho de felicidade por algumas horas. Para quem não gosta, como eu, fica a impressão de que cada vez mais o Sambódromo, nos dias de carnaval, fechou para o povo, tornando-se exclusividade para turista. O povo é só um grande painel, na passarela e no lado de fora. Opinião (arrisco a dizer que é quase um clichê) de quem não é chegado no samba.

2 de fev. de 2007

Natureza e homens


Enquanto não sai o parecer final do famigerado relatório sobre aquecimento global e o futuro do homem numa terra cercada por desastres ecológicos, não custa nada apreciar o belíssimo quadro de Turner, pintor inglês do Romantismo. Trata-se de "Tempestade de neve: o exército de Aníbal atravessando os alpes suíços", de 1812. Com este quadro é possível imaginar quão frágeis e pequenos somos diante da natureza, sua fúria, com o sol, diminuto, imparcial e ao mesmo tempo construindo no quadro algo próximo de um olho, feito o olhar de um pássaro pronto para abater sua presa. Todo esse alarde em torno do aquecimento global me faz sentir um pouco um dos homens de Aníbal, nessa pintura. Quem tiver o interesse de conhecer mais sobre a vida e a arte de turner, basta clicar no endereço: http://www.abcgallery.com/T/turner/turner.html

1 de fev. de 2007

Nova edição de Marcel Proust


Está saindo pela Editora Globo uma nova edição dos livros de Marcel Proust: Em busca do tempo perdido. Serão sete livros com as traduções dos maiores poetas e escritores, dentre eles, Mário Quintana e Carlos Drummond. Precisa dizer mais alguma coisa? Cheguei a ler, numa época bem remota, os três primeiros livros (O Caminho de Swan, O Caminho de Guermantes e Á sombra das raparigas em flor). Como está saindo uma edição por mês, eu acho, vou comprar e, quem sabe, fazer deste ano o ano da leitura d´Em busca do tempo perdido.

P.S.: o quadro é La Grenouillère, de Renoir.

31 de jan. de 2007

O discurso científico explicando e se divertindo com os super-heróis


Há algum tempo venho me reconciliando com minha infância através das histórias em quadrinhos. Até hoje lastimo a venda de minhas revistas, na época, por uma ninharia. Fora preciso, é certo, mas ficou aquele sentimento de perda. Hoje volto ainda que timidamente às leituras e eis que, por acaso, me deparo com A ciência dos super-heróis, de Lois Gresh e Robert Weinberg, da Ediouro. O livro discute sobre como o conhecimento científico pode explicar os poderes de certos super-heróis, como o Homem-aranha ou o Super-homem, por exemplo. Trata-se de uma leitura leve e bem humorada, em que se destaca o texto científico abordado de modo quase didático, bem como o surgimento da era de ouro dos super-heróis na década de quarenta. São discutidos alguns dos principais heróis das duas maiores editoras do ramo, Marvel e DC, porém, ao final temos uma entrevista com alguns roteiristas e desenhistas que discutem sobre o uso da ciência nos quadrinhos atuais; bem como a importância da mesma nos quadrinhos de Carl Barks – para quem não sabe, ele foi o principal desenhista, por anos, do Pato Donald.

27 de nov. de 2006

Memórias e noites: o livro de contos de Marcelo Moutinho

O livro de contos, Somos todos iguais nesta noite, de Marcelo Moutinho, se destaca pela delicadeza extraída a partir de situações aparentemente banais, sobretudo na primeira parte, "Iguais". Neste conjunto, é possível perceber elementos de uma memória social que pontuam cada um dos contos, lembrando, em muitos momentos, trabalhos acadêmicos como Memória e sociedade, de Ecléa Bosi. Convém destacar que o livro de contos não somente resgata, mas partilha com o leitor; o título (tirado de uma canção, creio eu), muito feliz, nos envolve na construção das tramas: "somos todos iguais...". Na segunda parte, "Noites", há um pouco do elemento fantástico, algo do realismo mágico, porém sobressai temas que muitas vezes, são ou foram agregados ao mito da "noite", como, por exemplo, a solidão, o mistério, entre outros. Tal título, da segunda parte, não agrega uma experiência singular, antes diversifica. A singularidade ocorre no termo "nesta", no título do livro, momento único em que autor e leitores agregam-se sob o manto indefinido da memória e do noturno. O melhor conto do livro que traduz todas essas possibilidades aqui destacadas, em minha opinião, é "Rosa noturna". Também gostaria de pontuar o conto "Desfile", não somente pelo tema do carnaval (e sobre carnaval e literatura temos pouco), mas principalmente pela construção dos diálogos, que permitiu uma fusão entre forma e conteúdo bem elaborada. Quem acompanha o trabalho de Marcelo Moutinho percebe o crescimento e o amadurecimento literário em Somos todos iguais nesta noite.

20 de nov. de 2006

O coronel e o lobisomem: o livro, não o filme

Esqueçam o filme, estrelado por Diogo Vilela, Ana Paula Arósio, entre outros. O livro, escrito por José Cândido Carvalho em 1964, é um clássico e é muito bom. Narrado no início do século XX pelo seu principial personagem, Ponciano de Azeredo Furtado, apresenta a decadência do coronelismo em detrimento das novas relações político-financeiras da burguesia insurgente, através da ótica do maravilhoso. O romance é narrado em primeira e terceira pessoa pelo próprio Ponciano. Não chega a ser absurdo se você lembrar das entrevistas que Edson Arantes do Nascimento dava falando sobre Pelé, aliás, o próprio. Há uma sucessão de "causos" que muitas vezes lembra Alexandre e outros heróis, de Graciliano Ramos, porém ao final concentra-se no processo de falência como reflexo da decadência do coronelismo, culminando na morte, ou melhor, nas "duas mortes" do coronel, a real e a fantástica. Perfila uma galeria de personagens prosaicos caracterizando uma dualidade campo/cidade, mítico/real, caracterizado pelo modo narrativo EU/Ponciano, ELE/Coronel Ponciano. Todavia a beleza e o encantamento do texto está na linguagem do romance, muito mais uma que uma paródia do discurso de Guimarães Rosa, alguém poderia dizer, trata-se mais de um refinamento da linguagem pancrônica do autor de Grande sertão: veredas. Há o uso literário da linguagem do interior, concentrando-se em processo de formação sufixal, sobretudo de adjetivos (tristoso etc.) e advérbios, mantendo um ritmo poético e dinâmico para o texto. O entrelaçamento das duas pontas (real/mítico) a partir do jogo de linguagem, aliado à construção do personagem Coronel Ponciano é o grande trunfo de José Cândido.
O filme recria uma parte pequena do romance, estabelecendo uma nova trama, nem de longe poderíamos dizer que se trata de um resumo, uma adaptação. Achei o filme bom... Mas o livro é bem melhor.

31 de out. de 2006

Um pouco mais do mesmo

Dúvidas, dúvidas... Livros, livros... Filmes, filmes... Trabalho, trabalho... Não tem jeito (por enquanto)! Está tudo um pouco mais do mesmo.

23 de set. de 2006

políticos nacionais no jogo de cartas

A imaginação é maravilhosa!! Quem diria ser possível encontrar Enéas, ACM e tantos outros politicos num jogo de cartas? Pois é. Está criado o super trunfo da política nacional, "Golpe". São 32 cartas com alguns itens curiosos como "astúcia", por exemplo. De graça, através da licença Creative Commons. Quem quiser saber mais, ou simplesmente imprimir, eis o endereço: http://www.stoneagescanners.com/golpe/

19 de set. de 2006

12 de set. de 2006

Onde você esteve no 11 de setembro?

11 de setembro. De manhã, ou quase meio-dia, não lembro ao certo. Estava no morro do Cantagalo,em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, supervisionando uma sala de supletivo do primeiro grau quando soubemos, eu e o professor, sobre o ocorrido. Vimos as imagens, espantados. Naquele momento não sabíamos que a ressonância seria enorme, como está sendo até hoje. Também lembro de uma artigo escrito pelo poeta Chacal, para o Jornal do Brasil, em que supostamente louvava o intento de Bin Laden. Nossa! foi duramente criticado pelo Gerald Thomas. Há tempos não lia um artigo tão pesado, desnudando, achincalhando uma pessoa. Não houve nem resposta. E por muito tempo não ouvi Chacal se pronunciar. De lá pra cá, aumentou o descrédito com a política internacional, Bush tornou-se definitivamente um atabalhoado deus da guerra, o mundo mais violento, sem dúvida.

9 de set. de 2006

Ah! se a moda pega...

Uwe Boll, diretor alemão conhecido por suas péssimas adaptações de videogames para o cinema Alone in the Dark, Blood rayne etc.) , cansou-se das críticas negativas convidando seus detratores para um luta de boxe. "É porrada!", como diria o velho Massaranduba... Quatro críticos de cinema se apresentaram, e o primeiro, espanhol, apanhou feio no ringue. Teve até torcida para o crítico, mas parece que não adiantou. Dizem que depois Boll deve colocar as lutas nos extras do seu próximo filme. Marketing é tudo!
O endereço está no youtube (Uwe Boll vs Oso):

http://www.youtube.com/watch?v=GjM2w5FOPQw

3 de set. de 2006

As artimanhas de "Re[corte] cultural"

Para quem não conhece, o programa de televisão da Tv aberta TVE, Re[corte] cultural, apresentado por Michel Melamed, é uma das boas surpresas no deserto da televisão aberta brasileira. O programa é um espetáculo de edição de imagens que lhe confere um ar pós-moderno, um olhar fragmentado fascinante. Há sempre duas ou três entrevistas em locais diferentes que não seguem linearmente, mas intercalam-se, criando uma nova leitura, algo lúdico que faz falta aos demais programas desse gênero. Existem referências claras, ao longo do programa, das possibilidades que a poesia concreta ofereceu, por exemplo, verdadeiras interferências na tela, na imagem. No quadro "debatedeira" (veja a brincadeira com o nome...), Melamed se preocupa em quebrar expectativas que se desenham para uma entrevista colocando o entrevistado à prova, em situações inesperadas, como pular da cadeira, tomar uma cachaça, dirigir alguma cena, na hora; isoladas, ditas de modo aleatório, pode parecer estranho, porém condiz com o ritmo das entrevistas, do espírito lúdico do programa. Isoladamente, tais detalhes que caracterizam o programa não são novos. Todavia é a mescla, e ,repito, a edição, artimanhas as quais podemos acrescer, talvez o grande trunfo (quem não se lembra do jogo "super trunfo"?) seja o fato de que Michel Melamed não é um apresentador per si; ele é um artista no comando das entrevistas, com a mesma verve de Abujamra no também ótimo "Provocações". Aliás, Melamed encarna um pouco o sonho de Abujamra, "dêem aos artistas um horário vago na televisão e você verá algo novo nascendo..."

Desaparecido

Há mais de um mês permaneci calado, navegando incógnito pela internet. É assim que imagino meu silêncio: tempo de descobrimentos e navegações à procura de novos portos, o encantamento de novas idéias. Um novo caminho para as Índias? Quis dobrar o meu Cabo das Tormentas, é o que venho fazendo nos últimos meses, confesso que ainda não o domei, ainda não o transformei em Cabo da Boa Esperança. Mas vou navegando, e devo chegar lá...

22 de jul. de 2006

Drummond e a Copa do mundo: quem diria!

Este é o poema da despedida (nossa) da Copa. Descobri meio ao acaso, relendo textos do poeta Carlos Drummond de Andrade. Encontra-se no livro Amar se aprende amando:
FOI-SE A COPA?
Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.
Faltou a inflação dos pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.
Agora encerro, de fato, a Copa do Mundo neste blog. :)

1 de jul. de 2006

Rumo à Copa 2010

Foi uma partida triste. Não houve em algum momento um brilho sequer da constelação brasileira. Nenhuma estrela para incendiar, todas apagadas. Esperei pela genialidade do Ronaldinho Gaúcho, mas parece que ela se restringe ao Barcelona. Tudo bem, sem desespero. Ainda somos Penta. Vou guardar minha corneta, minha buzina, torcer para Portugal (viva a língua portuguesa!). África do Sul, aqui vamos nós.

29 de jun. de 2006

Próximas Copas


Eis o meu sobrinho Thiago. Como o seu pai (meu irmão) me disse: " Quando Thiago estiver maior, vai jogar no Real Madrid!" Jogar no Flamengo?Só se fosse por amor à camisa... Jogar na seleção? Ao menos com a camisa (ainda que não seja a oficial) ele é fotogênico. Próximas Copas estaremos torcendo juntos! Posted by Picasa

Futebol e literatura

Em época de futebol entre as nações, não pude resistir e comprei Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano, LPM. Histórias lindas e poéticas sobre o futebol, ainda que surja em sua superfície um saudosismo e certo ranço para com o futebol atual por parte do autor, aliás, grande contador de histórias e "causos" da América Latina. Porém lá está a bola, espelho da felicidade entre os homens de boa vontade, girando por entre as Copas do Mundo, desde seu início, contando seu amor pelos dribles fantásticos dos verdadeiros imortais do futebol. A edição é atualizada com as Copas de 98 e 2002 (o livro saiu por aqui em 19995). Difícil terminar o livro e não procurar um terreno baldio para bater uma bolinha...

13 de jun. de 2006

Brasil na Copa do Mundo: lembranças de 94?

Huaaaa!! Que sono! Quase dormi no segundo tempo... Eu que me preocupei, até os dez minutos antes de iniciar o jogo, em comprar uma corneta! Eu não sei, de repente comecei a ver uma sombra de 1994, na maneira de jogar, no espírito. Vi alguns momentos de brilho do Ronaldinho Gaúcho e uma seleção séria, sem alegria. Não jogou mal. Jogou sem humor, estava mal-humorada. Quando Ronaldo saiu, ainda o acusaram de estar gordo. Nem ele nem Adriano foram aproveitados. Só houve defesa e meio-campo, sem muita ligação com o ataque. Mas prefiro ficar na desculpa de que foi o primeiro jogo. E na esperança de que podemos vencer com mais graça e ginga, esquecendo a sobriedade do time de 94.

5 de jun. de 2006

Nomínimo mudanças

Está de parabéns o site Nomínimo. Quatro anos estabelecendo parâmetros (minha opinião) no jornalismo via internet. Houve mudanças, claro, ao meu ver, bem interessantes, setorizando temas, arregimentando novos colunistas. Particularmente, destaco "Todoprosa", com Sérgio Rodrigues à frente, destacando principais notícias sobre literatura; "Papo de homem", com temas masculinos, quase uma revista para homens, por Pedro Dória; "Olha só", que trata sobre cinema, por Ricardo Kalil. Fica provado ser mais do que possível fazer um jornalismo de qualidade pela internet. Não é mais o futuro. É o presente.

24 de abr. de 2006

Enrolado na escola

Um mês. E desta vez não tirei férias. Estive apenas enrolado com os trabalhos na escola. Montando provas, material para trabalho em sala de aula e alguns absurdos... Depois de anos, as escolas (públicas do Ensino Médio) estão recebendo livros didáticos de matemática e português para os alunos. Onde trabalho, não recebemos os livros do professor. Poderia ser uma piada perversa como em um episódio dos Simpsons em que os alunos se revoltam na escola e escondem todos os livros dos professores. Acuados numa sala, os professores fumam exagerademente e, nervosos, se questionam: " Meu Deus! O que faremos agora?" Não é bem assim que funciona, nem sempre o livro ajuda, mas o que ocorre é o descaso com a distribuidora dos livros, chegaram ao absurdo em questionar sobre porquê não pagarmos pelos livros. Pagar para trabalhar... Os livros estão nas mãos dos alunos e não podemos utilizar. Eu principalmente me recuso! Mais um imbróglio na Educação.

24 de mar. de 2006

Ferreira Gullar e o programa Gerações

Hoje o melhor canal de tv aberta é a TVE. Nos últimos anos, melhorou bastante. Há espaço para todas as áreas (cinema, literatura, dança, música, política) e os programas primam pela qualidade. Mas há um programa que fica notório, em vários momentos, um certo incômodo. É o programa "Gerações", do Sistema S (SESC, SENAI E SESI), veiculado na emissora, sábado, às 16:00h. Quem apresenta é o poeta Ferreira Gullar. Cada programa é sobre um assunto específico e, às vezes, se desdobra em dois. Eu não trabalho com televisão, sou apenas um espectador talvez um pouco mais curioso que a média. Quando não é um assunto que o poeta, e agora apresentador, não domina, o que é normal, ninguém tem obrigação de saber tudo, fico na espectativa de que não aconteça algum mal estar no momento da entrevista. Ferreira Gullar olha para aquelas fichas de pergunta, tentando decorar, não sei, e questiona o entrevistado. Neste momento, a câmera abre para os dois, entrevistado e entrevistador, e quanto o sujeito responde é possível ver o poeta olhando novamente para as fichas, tentando emendar imediatamente uma nova pergunta. A sensação que passa é a de que ele não ouve a resposta porque está preocupado em dizer a pergunta seguinte. Às vezes fica pior: interrompe o entrevistado para outra nova pergunta, enquanto arruma aquelas fichas a todo momento, como se estivesse perdendo a seqüência de perguntas, a conversa torna-se quase um ato mecânico quando deveria soar natural. E, para piorar, a edição corta o final das respostas de vários entrevistados, numa tentativa de ordenar, segmentar as perguntas do entrevistador. É tão notório que eu, um mero espectador, consigo perceber. Ferreira Gullar, para mim, é o maior poeta brasileiro vivo da língua portuguesa ( ele, Carlos Drummond, João Cabral e Manuel Bandeira são os Quatro Pilares da poesia nacional - minha opinião). Como apresentador, sairia muito melhor se o seu programa fosse apenas sobre estética e , mais especificamente, literatura. Tenho certeza de que se sairia melhor. Mas com as falhas (ele mexe e remexe, não tira o olho das fichas!, às vezes esquece até o entrevistado...) e a ajuda da péssima edição, fica um certo constrangimento na tela; do lado de fora da tela, a torcida do espectador solitário, eu, e, quem sabe, de uma multidão solitária que também assiste ao programa para que este grande poeta possa fazer uma carreira de sucesso na televisão. Te cuida, Jô Soares!!!

18 de mar. de 2006

Elocubrações cariocas

Os militares do Exército acharam os fuzis roubados. Para boa parte da população, ficou um gostinho de quero mais!, fica!... Mas eu suspeito de que seja uma ilusão. Parodiando naquele poema de Ferreira Gullar, uma parte de mim gostaria que o exército permanecesse nas ruas, outra parte de mim, que essa não é a solução. O que prova que nós, moradores da "Cidade Maravilhosa", estamos perdidos nessa discussão. Não há uma política de segurança para o estado do Rio de Janeiro que perpetue e se adapte ao longo dos anos. Só o que houve foram tentativas isoladas, desacompanhadas de uma política social (neste governo que se arrasta por quase oito anos, política social foi sinônimo de popularismo assistencialista da pior espécie). Bastou apenas os militares saírem e tudo voltou a ser como antes... Mas aqui vai um pensamento hipotético, uma artimanha da lógica: se existe um mercado para o tráfico é porque existe fornecedor e comprador. Se uma dessas parte ficasse sufocada (de preferência o fornecimento) o preço ia explodir. Quanto tempo levaria para quebrar este mercado? Continuo não acreditando no exército na rua como a melhor solução, mas uma parte de mim...

1 de mar. de 2006

O melhor do carnaval


Bom, meus amigos... o melhor do carnaval não foi a Mangueira e nem a Imperatriz Leopoldinense. Foi o meu sobrinho Thiago que passou lá em casa num desfile aberto, vestido de flamengo (já está no DNA dele) e por fotos com esta aí em cima. Nota dez no carnaval!!
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28 de fev. de 2006

A cidade está tranqüila

Aos poucos as pessoas estão saindo das casas. O trânsito começa de novo aquele ritmo insuportável. Algumas lojas abertas na rua Dias da Cruz, no Méier. A cidade está tranqüila... vontade agora só uma: ir para um rodízio de pizza! (rsss)

27 de fev. de 2006

O silêncio

Vivo sempre uma contradição. No carnaval, em meio ao barulho, busco o silêncio. Quando posso, vou me esconder numa fazenda, no meio do mato. Há uns três anos permaneço no Rio de Janeiro. Sinto-me às vezes no olho do furacão. Mas neste período tenho procurado passar o tempo vendo filmes e lendo bastante. Das minha leituras, O bibliófilo aprendiz, de Rubens Borba de Moraes, e Como e por que ler o romance brasileiro, de Marisa Lajolo, esta, conhecida dos tempos de congresso sobre leitura na Unicamp. Quanto aos filmes, busquei os documentários e um filme argentino, O mesmo amor, a mesma chuva. Enfim, falta pouco para acabar o carnaval...

13 de fev. de 2006

Botafogo X América

Sou botafogo de ocasião, mas ontem (domingo) confesso que torci para o América. Não sei quanto tempo fora de uma decisão, houve certamente uma grande mudança naqueles jogadores com a chegada de Jorginho como técnico de futebol. Gente sumida como Válber, Robert e Maciel parece que ressuscitaram, o que é ótimo para o nosso combalido futebol carioca. Eu torci para o América, queria ver o Maracanã encharcado de vermelho, não o vermelho sangüíneo, com as suas hemácias e glóbulos, mas aquele que estampa a raça e a coragem de quem vai para uma batalha campal. Tarefa cumprida pelo Botafogo no segundo tempo, vencendo por 3 X 1. Venceu o time que o meu pai tinha muito carinho. Deve ter ficado contente com a vitória - desde 1997 que não ganhava o título da Taça Rio. Eu nunca fui de guardar nomes de jogadores. Ele muito menos, porém era divertido vê-lo mexendo com os outros sem nem mesmo saber que jogador era parte do time.

7 de fev. de 2006

Uma verdade absurda


Saiu nos últimos dias algumas fotos de Suzane von Richthofen - para quem não lembra, ela matou os pais junto com o namorado e o irmão dele. Pobre menina rica, bonita e terrivelmente perigosa, agora passeia pela praia, em Santos, segundo dizem, feliz, embora esteja três ou quatro vezes acima do peso. Quem disse que a cadeia não engorda? Saiu nos comentários da coluna do Tutty Vazquez, no blog de Nomínimo, talvez o comentário que resume em uma só frase todo o absurdo que envolveu essa jovem e revoltou o Brasil, seja pelo cinismo, seja pelo sentimento de impunidade. Eis a frase:
"Matou os pais e foi à praia. Pode?"
P.S: foto: reprodução da TV Record

6 de fev. de 2006

A charge e o Islã

Lembra muito a Idade Média. Mais uma prova de que o humor pode descontruir tudo, desmoronar o jeito sisudo desses fanáticos. Parece que o riso não foi feito para o Islã, aliás, nem para o cristianismo (basta lembra do célebre filme O nome da rosa, sobre a maldição que pairava sobre o livro A comédia, de Aristóteles). Devem sobrar poucas religiões que aceitam o humor...

21 de jan. de 2006

O descanso dos anjos



Ainda vale a pena investir no ser humano, vocês não acham?
P.S.: o meu sobrinho Thiago.
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20 de jan. de 2006

Inaugurando fotos no Argonauta

Finalmente aprendi postar fotos e imagens no blog (rss). Resolvi então inaugurar com o meu sobrinho Thiago, símbolo de renovação na minha família, paz e muita alegria. Posted by Picasa

16 de jan. de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto (parte II)

Continuando o texto do post anterior:
3-Apresentando gêneros textuais diversos (texto de propaganda, crônicas, reportagem etc.) para análise estrutural (conhecer os aspectos mínimos que diferenciam um texto de um outro tipo de texto); reformulação (após conhecer o " como dizer" ,alterar o conteúdo). O processo final seria reproduzir o gênero textual e, mediante acordo com a turma, escolher uma produção textual feita por um aluno para análise coletiva. Vale ressaltar que noções de intertextualidade são trabalhadas para que o aluno saiba analisar criticamente as possibilidades de leitura e conjugação de sentidos que um texto possa proporcionar. Tal proposta também é válida para o trabalho com a oralidade, mediante gravação de vídeos ou somente áudio das apresentações de alunos em uma leitura de poemas, debate para análise e reflexão, a partir de um tema polêmico etc.
4- Da mesma forma que no item 3, porém acentuando aspectos ideológicos e intertextuais, bem como o modo em que os argumentos estão dispostos no arcabouço do texto, na conjugação de sentidos. Importante destacar as possibilidades de intertextualidade, sobretudo na utilização de mídias diversos, ampliando o leque de usos da língua e do texto.
5- Acredito que o maior desafio seja o de apresentar as várias estratégias para o uso da leitura, de modo que haja também complementação no ambiente familiar, a partir de encontros com os pais para discussão de possíveis entraves e soluções. Tornar perceptível ao aluno que há níveis de leitura, conforme a demanda em que seja necessária a mesma: leitura para revisão textual, retomada de tópicos, resumitiva, a que busca o prazer estético da língua... Havendo destaque também para o suporte em que está condicionada a leitura, possibilitando diferentes formas para o ato de ler.

14 de jan. de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto

Fiz recentemente uma prova para o Colégio Pedro II, contrato de um ano. Análise de currículo (eliminatório) prova escrita (cinco questões) e entrevista (essas duas, classificatórias). Ainda não saiu o resultado, contudo, transcrevo aqui as respostas sobre algumas perguntas referentes a leitura, literatura, gramática e produção de texto em sala de aula, por acreditar ser este o pensamento mediano de um professor de português, atualizado, do ensino básico (ensino fundamental e médio). Não lembro das perguntas, não anotei, porém ao ler as respostas, o leitor compreenderá a que se refere o tópico.
1- A realidade virtual vem demonstrando a cada dia a mescla entre as diversas mídias, conteúdos e formas. O olhar sobre a sociedade é múltiplo, fragmentado, as ferramentas para análise devem posibilitar tal dinamicidade. Não é mais possível trabalhar períodos literários de maneira estanque, isolados de toda produção cultural da sociedade, em sua determinada época. É importante conjugá-los ao processo cultural que a sociedade construiu, em seus vários momentos, estabelecendo aspectos referenciais a partir de uma rede intertextual, plena em sua conjugação de sentidos. Desse modo, portanto, estudar um período literário não pode estar isento de um olhar múltiplo sobre toda produção cultural.
2- Valorizar o que o aluno traz em sala de aula, ensinando aquilo que lhe faz falta. Importante possibilitar situações em que o aluno tenha que utilizar determinados recursos lingüísticos para análise e reflexão da língua, para que possa reconhecer-se, num processo de construção coletiva entre alunos e professor, como sujeito autônomo da língua. Há que se elaborar conceitos gramaticais, num primeiro momento, mediante necessidades que o texto apresenta para análise, para, num segundo momento, apresentar nomenclaturas.
Próximo post transcrevo as outras três respostas.

12 de jan. de 2006

Férias de mim mesmo

Um mês e um dia. Sem querer, tirei férias de mim mesmo neste blog. O que fiz neste período? Terminei de ler Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar, assisti muitos DVD´s e apanhei bastante dos diários de classe da escola. Não fui ao teatro; porém, para este ano de 2006, pretendo ir ao menos uma vez por mês. Assim espero que seja com o cinema também. E com as exposições e ida aos museus também. Enfim, retomar uma época boa de minha vida, tempos idos em que não perdia bons filmes, boas peças, produzia ( escrevia uns tantos versos e me arriscava na pintura). Vamos ver o que 2006 tem para oferecer ( e se conseguirei cumprir, ao menos em parte, essas promessas).

11 de dez. de 2005

A sedução do discurso científico

Está saindo nas bancas o DVD da série "Cosmos", de Carl Sagan pela revista Superinteressante. Pretendo comprar e colecionar. O site Nomínimo noticiou o fato, mas se refere ao mesmo como indicado para crianças de 7 a12 anos (rsss). Passei desssa idade faz anos, porém ainda é um assunto que atrai minha curiosidade. Lembro de uma fase em que lia bastante literatura científica, voltada em boa parte para o público leigo. Dentre outros, li Breve história do tempo, de Hawking, e O bico do tentilhão, de Jonathan Weiner. Este foi para mim uma leitura maravilhosa. Trata-se do acompanhamento da vida dos tentilhões, numa das ilhas Galápagos, e suas recorrentes adaptações ao meio, expressão maior da teoria da evolução das espécies, de Darwin. Quanto ao outro, foi uma leitura decepcionante. Saí com mais perguntas e respostas frouxas, quase incompreensíveis. Porém há uma nova versão, ele reescreveu junto com um jornalista da área científica, preocupando-se, enfim, com os leigos. O discurso científico é sedutor. O discurso filosófico também, mas fiquemos, por agora, com o primeiro. Onde está a sedução? Para mim, está na organicidade de um sistema descrito no encantamento da lógica, sobretudo quando comparamos com a irracionalidade do mundo. Também acho que está na aventura da descoberta, no desafio mental, no jogo de linguagem. A ciência ainda (?) não é a resposta para o desafio do mundo, da vida. Mas não está desprovido do espectro do maravilhoso.

1 de dez. de 2005

jornalismo impresso X blog?

Eu nunca acreditei nisso. Evidente que existe uma crise na mídia impressa com o advento da internet, desde então. Mas, ainda assim, não acredito na "morte do jornalismo impresso". Imagino que uma solução seriam matérias mais aprofundadas, investigativas, porque em termos de velocidade, não há como comparar com a internet, e talvez por isso, acredito nos erros que esta velocidade de informação pode acarretar. Aliás, Baudrillard (se não me engano) já dizia que cada nova tecnologia cria um novo tipo de acidente. Também não acho que o blog será a grande fonte jornalística para o leitor. Deverá haver uma relação de interdependência: o blog como uma grande arena para discussão, espaço em que jornalistas e leitores vão poder questionar, opinar sobre a informação trazida pela informação impressa. Podem dizer o que for sobre a internet, o CD, o DVD, porém o fato mais relevante é que o papel, ou melhor, a impressão no papel persiste por pelo menos 500 anos, sem data para terminar.

17 de nov. de 2005

Lançamento de livro infantil

Márcio Leitão, poeta e escritor, velho conhecido de poesia, vai estar lançando o livro infantil Álvaro, o urubu, da editora Zeus, no 7o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no jardim do Museu de Arte moderna - MAM, no dia 20 de novembro, às 11 horas da manhã. O endereço é: Av. Dom Infante Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ. Se eu não me engano, este é o segundo livro infantil que ele está publicando...

7 de nov. de 2005

Lançamento de livro

Lançamento do livro Contos sobre tela, organizado por Marcelo Moutinho para a Editora Pinakotheke, vai acontecer no próximo dia 8 de novembro, a partir das 20h, na galeria da própria Pinakotheke (um sobrado de época lindo, lindo, na Rua São Clemente, Rio de Janeiro). A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.

Lançamento de livro

Leituras na web

Tenho lido alguns blogs muito bons na internet. Textos ágeis, de boa leitura, temas interessantes. Resolvi partilhar minha leitura, então.
Sobre o Rio de Janeiro e eventos culturais, vejo sempre o blog do Marcelo Moutinho, escritor e jornalista: http://pentimento.zip.net/
Sobre Relações Internacionais, cotidiano, o blog de Mauricio Santoro e JD: http://www.osconspiradores.blogspot.com/
Sobre humor, o blog do meu amigo Henrique Rodrigues, escritor e poeta: http://www.fullbag.blogger.com.br/
Sobre tecnologia, o blog de Tiago Dória, muito interessante: http://tiagodoria.blig.ig.com.br/
Sobre política, os blogs dos jornalistas Josias de Souza e Ricardo Noblat http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ http://noblat1.estadao.com.br/noblat/
Por último, o blog do jornalista Jorge Pontual, repórter da Globo, que utiliza o blog para comentar sobre cultura, gastronomia, política, música (clássica, principalmente). Detalhe: quem gosta de Charles Baudelaire vai adorar o site. http://nyontime.blogspot.com/ Estes blogs são, para mim, leituras quase diárias.

20 de out. de 2005

Corpo discente

Para quem não sabe, trata-se de alunos, do conjunto de alunos. Tenho sido apontado por meus alunos do Segundo Grau no CIEP em Itaboraí, interior do Rio de Janeiro, como um dos mais perversos professores. Comentam que as minhas provas de português são difíceis e, o pior, têm dez questões! Eles não estão acostumados com uma prova tão extensa. Na verdade, não estão acostumados com a palavra escrita. Muito complicado... Praticamente não lêem nada, nem jornal de esportes, arrisco-me a dizer que o pouco contato com a escrita está condensada ao colégio. O CIEP não oferece cópias de textos para os alunos, os mesmos quase sempre reclamam quando precisam pagar para tirar cópia. Não é possível utilizar a biblioteca, da forma que gostaria. Há bons livros, mas em geral poucos têm oito ou nove de uma mesma edição. Freqüento bastante a biblioteca, já me disseram que aquela é uma das poucas da região, e, atualmente, quase não recebe novas remessas. Como suponho que o CIEP, desculpe, agora se chama " Brizolão", tenha cerca de 700 alunos, vi, até hoje, somente três alunas que realmente são leitoras. Não vejo mudança a curto prazo. Porém acredito que é preciso planejar atividades e possibilidades para que as futuras mães dessa geração possam relevar a importância da leitura na educação dos filhos. Não sei como poderia ser feito. Tenho andado pessimista por estes dias...

4 de out. de 2005

PROALFA: anos de experiência

Ontem, dia 3 de outubro, foi aniversário do PROALFA, Programa de Alfabetização da UERJ. Participei da história desse programa. Dentre as comemorações, Houve o lançamento de um livro com os textos dos alunos da Terceira Idade que participam das classes de alfabetização. Na época, tomei contato com a alfabetização, li bons livros sobre o tema, e trilhei uma parte de minha vida nesse trabalho com alfabetização de jovens e adultos, comunidades carentes... Rapidamente descobri que são pouquíssimos programas sociais sérios, em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Foi emocionante ver os alunos, alguns de minha época de trabalho, receberem os exemplares do livro, uma coletânea. Realmente somos uma sociedade que valoriza por demais a cultura escrita. Assistir aos alunos, emocionados, falarem sobre a vitória que alcançaram ao publicarem no livro, sobre o valor que davam agora à escrita, foi maravilhoso. Rever algumas pessoas de uma época feliz de minha vida também. Parabéns ao PROALFA e à Profa. Anna Helena Moussatchè, diretora, pessoa querida por muitos. Tive sorte em conhecê-la e trabalhar ao seu lado.

26 de set. de 2005

A nova realidade dos CIEPS: parte I

Quem vive no Rio de Janeiro sabe que o CIEP foi uma criação de Leonel Brizola, em seu primeiro mandato, se não me engano lá pelos idos de 82, visando o horário integral com assistência médica, esporte e educação. Ao longo da rodovia Rio-Manilha, por exemplo, é possível ver pelo menos uns seis ou sete. Há CIEP pra todos os lados do Estado. Os professores precisam agradecer ao ex-Governador em suas orações. Graças a ele haverá trabalho por um longo tempo, pois não há como preencher todas as vagas através de concurso público. Sempre teremos contrato e dobra de horários para os concursados. Talvez seja por isso que a Governadora Rosinha decidiu mudar o nome, já publicado no Diário Oficial, para "Brizolão". Isso mesmo. Hoje o CIEP é reconhecido pelo Estado como Brizolão. Faz sentido... Não existe mais horário integral, falta cópia para os professores, todas as escolas têm problemas graves de acústica (como as paredes são baixas, os professores, ao discursarem em sala de aula, têm cerca de 50% da voz emitida dispersa, uma vez que não há barreira que possa impedir tamanha dispersão da voz. Resultado: o professor precisa sempre aumentar o tom da voz para que o aluno que está no final da sala possa escutá-lo). Problemas da construção? correto, porém pouco ou nada foi feito até hoje... (continua)

20 de set. de 2005

Jeanette Winterson: Inscrito no corpo

Foi para mim uma surpresa agradável ler Inscrito no corpo, da editora Rocco, acho que um dos primeiros livros publicados por aqui de Jeanette Winterson, autora inglesa. Fiquei curioso, após sua passagem meteórica na FLIP ( Feira Internacional Literária de Paraty) deste ano, no Rio de Janeiro. Ativista política, simplesmente convidou a todos para fazer um protesto contra a Petrobrás (na época a Petrobrás estava para fazer algumas operações próximas a Paraty que iriam, segundo a opinião dos ambientalistas, degradar o meio-ambiente). Baixinha, mas com um discurso de gigante, não somente participou mas, pelo que li, foi uma das apresentações mais interessantes do evento. Quando passei na Biblioteca Municipal do Engenho Novo, estava lá o livro de pouco mais de 170 páginas, convidando-me para a leitura. Trata-se de um romance muito interessante. Procura retratar sobre as nuances do amor no nível mesmo do corpo fisiológico, no que tem de original. Na verdade, em muitas passagens há o misto de ensaio com o discurso científico sobre a natureza do amor,flertando também com outros gêneros literários como o conto, a partir de um triângulo amoroso: uma mulher casada, seu amante e um marido frio e distante com uma voz narrativa bissexual, sob a ótica do amante. Achei engraçado que no texto de apresentação do romance, somos levados a crer que exista mais de uma voz narrativa que ora se apresenta masculina, ora , feminina. Nada disso. Uma voz somente que se apresenta bissexual, talvez reflexo (sem querer empobrecer o romance, longe disso) da natureza sexual da própria autora, assumidamente bissexual.
Quem quiser conhecer mais sobre a autora pode acessar a página pessoal: www.jeanettewinterson.com

16 de set. de 2005

Vendaval de informações e Lúcia Hipóllito

Quem lê o blog do jornalista Ricardo Noblat ( http://noblat.ultimosegundo.ig.com.br/noblat/) recebe a notícia fresquinha sobre a política nacional. Como estamos em crise, ler todos os detalhes, o disse-me-disse, acompanhar as CPIs, tem sido difícil. Mas é aí que entra a comentarista política Lúcia Hipóllito. Ela faz a análise brilhante, objetiva e sempre direto no olho do furacão. Ler a coluna dessa brilhante cientista política é um prazer. Foi a maneira que encontrei para escapar de vendaval de informações. Além de participar do blog, parece-me que ela também participa de uma mesa redonda no Programa do JÔ, na Rede globo, às quartas-feiras, junto com outras comentaristas, para discutir a crise.

12 de set. de 2005

Briga de vira-latas

Ficou claro que Severino Cavalcanti não vai deixar a presidência. Vai resistir ao máximo. A partir de sua entrevista sofrível (dei bastante risadas quando ele pedia para que os jornalistas publicassem boas notícias sobre a coletiva!!). Que coragem! Este homem era digno de uma personagem de Machado de Assis. Tamanha empáfia com as palavras, assimetricamente destoante com os atos que o conduziram para aquele desfecho, nos permite dizer que teremos uma bela briga de cachorros vira-latas na Câmara dos Deputados. Não quis ofender os cachorros, os vira-latas, mas é a imagem que surge em meus pensamentos. Talvez devesse apostar no bicho, melhor, no cachorro. Porém não sei se o pobre animal é parte na constelação da ilegalidade junto com tantos outros...

11 de set. de 2005

Formação do leitor: bibliografia

Trabalhei por quase dez anos com comunidades carentes. Trabalhei com idosos, adultos, jovens e crianças sempre enfatizando o papel da leitura e da língua portuguesa. Ao longo desses anos formei uma pequena lista de livros que me ajudaram, formaram o meu mundo. Num outro momento descreverei sobre minhas experiências com as comunidades e com o governo, seja na esfera municipal, estadual e federal. A pedido do meu amigo Henrique, elaborei uma lista para um curso, creio que para contadores de história, para formação de agentes de leitura.
ECO, Umberto. Seis passeios no bosque da ficção. São Paulo: Companhia das Letras. 1994.
CHARTIER, Anne Marie e HEBRARD, Jean. Discours sur la lecture (1880-1980). Paris: Centre Georges Pompidou, 1991.
CHARTIER, Roger & CAVALLO, Guglielmo (orgs.). História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, (liv.1), 1998.
FOUCAULT, M. A Ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
LAJOLO, Marisa. Do Mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
LAJOLO, Marisa, ZILBERMAN, Regina. A Formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1996.
OLSON, David. O Mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo: Ática, 1997.
OLSON, David R. e TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1995.
PROUST, Marcel. Sobre a Leitura. Campinas, 1990.

PENNAC, Daniel. Como um romance. Ed. Rocco

Ver os sites:

http://www.leiabrasil.org.br/publicacoes_livros.htm


http://www.unicamp.br/iel/memoria/

e autores como Fanny Abramovich e Ezequiel Theodoro da Silva

10 de set. de 2005

Os negociadores da mentira

Estamos conhecendo dois: Severino Cavalcanti e José Dirceu. O primeiro irá negar, negar e negar, três vezes, para que a mentira torne-se verdade, buscando, enfim, um sopro de vida e continuidade do mandato à frente da Câmara dos Deputados. O segundo, mais sinuoso, esgueirou-se através do silêncio para negociar pequenas falhas jurídicas, pontos de tensão, para, enfim, buscar um mínimo de redenção. Um verdadeiro paradoxo para quem um dia almejou a presidência ou talvez nem isso, mas estar ao lado do poder, ser uma espécie de voz da consciência, um arremedo do grilo falante. Ambos irão negociar as mentiras até o fim, como num jogo de pôquer, vão usar todas as cartas, todos os artíficios. Uma aula de política mesquinha e pequena.

9 de set. de 2005

Sombras da morte em "A queda! Os últimos dias de Hitler"

Fiquei impressionado com o filme. Bruno Ganz interpreta Hitler com um vigor e temor que nos choca. Porém chocante mesmo é o suicídio, a sombra da morte que percorre por todo o filme, e o ato patético em si, pelos olhos de quem idolatrava Hitler, arruinado, Eva Braun alucinada, ambos negando veemente a realidade que os permeia: a guerra acabou, tudo foi destruído, todos os sonhos de grandeza. Seus generais completamente aturdidos, entregues aos delírios do álcool e aos impropérios do Füher. O suicídio, como ato final dessa loucura que foi a 2ª Guerra Mundial, surge carregado de alívio, enfado, temor e com um peso niilista que esmaga e sufoca quem assiste ao filme. A negação da esperança com o assassinato dos filhos de Goebbels, perpetrada pela esposa, num ato de louvor ao Nazismo foi, para mim, terrível. Assim como o garoto, jovem soldado que recebe uma medalha do Füher por ato de bravura, que percebe, ao ver os amigos mortos, seus companheiros de infância e de luta, despe-se do manto da guerra e retorna ao lar com uma espécie de filho pródigo. E por tratar-se de uma loucura, tem os pais mortos pelos próprios soldados alemães, caminhando para um mundo sem sentido. Sente-se no corpo decadente de Hitler o ódio não mais por judeus, mas por toda a humanidade como a derrocada final. O filme segue a trama aos olhos da jovem secretária de Hitler. Aliás, inicia-se o filme com o depoimento da secretária nos dias atuais e encerra-se com um mea culpa honesto e sensível, de quem, deslumbrada com o mundo e a curiosidade juvenil de estar no centro da história, ao trabalhar com o ditador, não se apercebeu da violência e do banho de sangue, inadmissível em sua própria opinião, que manchou para sempre a Alemanha.

8 de set. de 2005

O espetáculo da seleção brasileira

Não tenho dúvidas de que hoje a seleção só perde para ela mesma. Não importa nem se vai jogar com os quatros (carinhosamente chamada de “Quarteto Fantástico”) ou os cinco. Simplesmente não há adversário que tenha o mesmo plantel (palavra interessante essa) que o nosso time. Concentrada para uma partida, como a que realizou com o Chile, deverá esmagar os times inferiores (ainda existem) em poucos minutos e descansar ao longo da partida. Como no auge das lutas do Mike Tyson. Queriam espetáculo? Em segundos, Tyson destruía seus inimigos. Não havia tempo para isso. Espetáculo somente nos primeiros filmes de Rocky, estrelado por Silvester Stallone. Com a seleção teremos espetáculo até os 40 minutos do primeiro tempo. Depois de morto o inimigo, como nas grandes batalhas, o repouso do guerreiro ao longo do segundo tempo. Hoje o maior inimigo é a vaidade e a presunção. Na imprensa há o comentário de que esta é a melhor seleção de todos os tempos. Ainda não. Para mim, foram três: a de 70, que nunca assisti (ainda era um projeto de vida), mas percorre todo o imaginário dos brasileiros e estrangeiros (vide a homenagem que o diretor britânico Ken Loach realizou no filme “Meu nome é Joe”) com uma vitalidade impressionante; a de 1982, assistida, e que até hoje me emociona; a de 2002, que daria um belo filme com a seguinte sinopse: seleção desacreditada, com o ídolo Ronaldinho tendo que provar para si mesmo e para o mundo a sua recuperação, supera todas as adversidades em um belíssimo campeonato. Fosse um esporte consagrado nos EUA, Hollywood já teria filmado. Aguardemos a Copa do Mundo, portanto, o apito para o início do jogo. Nesse momento da partida, o ponto zero, a verdadeira batalha não será mais travada no campo mas na mente dos jogadores.

5 de set. de 2005

Katrina e o verniz da Humanidade

Duro ver New Orleans arrasada pelo furacão Katrina. Tira-nos a certeza de que, definitivamente, não há lugar seguro no mundo. E temos que conviver com a incerteza do mundo que o Capitalismo tanto escondeu e lutou para disfarçar através de suas falsas benesses. Pior ainda foi saber que, através dos estupros, saques, falta de segurança na cidade, suicídios, tantas e tantas mortes caiu o verniz da humanidade. Sim, bastou arrancar o mínimo de vestígio civilizatório para vermos a bestialidade do homem. Ser humano ainda é uma utopia. Para ver como vai acabar tudo isso recomendo a leitura do romance de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, Companhia das Letras. Não ocorre a fúria de um furacão no livro, mas uma crise de valores, na minha opinião, idêntica. Também acredito que os orientais tenham muito para nos ensinar, sobre como nos comportar diante de uma tragédia como essa, haja vista a destruição provocada pelas monções, todos os anos.

1 de set. de 2005

Descobrindo Balzac

Nunca tinha lido Balzac. Comprei um livro do autor no original, La Maison du Chat-qui-Pelot, para manter em dia o meu francês, na verdade, quero melhorar meu domínio sobre o idioma (rssss). Deparei-me com uma história de vida interessante: o escritor foi uma verdadeira máquina literária, uma produção de causar inveja a qualquer um, sofreu por um amor que só pôde ser consumado já perto de sua morte; e mais, procurou sempre defender a mulher da opressão da sociedade, baseado no convívio com suas irmãs, mais especificamente Laurence. Tem sido uma leitura difícil, junto com dicionário, sempre, mas bastante prazerosa. Chama a atenção do leitor o papel da descrição no texto de Balzac. A descrição das roupas dos personagens, nos mínimos detalhes, por exemplo, estão associadas a características psicológicas, como num corpo só. Difícil separar o físico do psicológico. Autores contemporâneos não fazem isso. Poucos trabalham com a descrição, buscando a palavra certa, com o objetivo de traçar uma característica. Muitos vão dizer que hoje o romance moderno jogou a descrição, técnica de produção de texto, para escanteio. Importante a sugestão, a cortina de fumaça. Concordo. Mas ler Balzac, até o momento, tem sido também uma lição de técnica literária. Nada está solto no texto. Aliás, como disse Autran Dourado, o escritor precisa conhecer as palavras comuns, dominar o substantivo que dá nome ao mundo, na minha opinião, descrever, descrever, descrever...

29 de ago. de 2005

Longa ausência

Após um tempo longe do blog, passando ao largo... Resolvi postar baseado na frase em que a raposa diz ao pequeno príncipe (sim, O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupèry). "A espera aumenta o desejo"...

4 de ago. de 2005

cinema e videogames

Não sou fanático por videogames, mas preciso dizer que as narrativas que introduzem aos jogos, que acompanham o jogador ao longo da disputa, estão cada vez mais elaboradas. Para uma nova geração que não estabeleceu contato com a literatura, acredito que os videogames mais elaborados são hoje o que podemos chamar de best-sellers. Existe uma geração eletrônica que não somente joga, mas "lê" e curte as narrativas dos jogos, narrativas essas baseadas na estrutura mítica do herói (devo falar mais tarde sobre esse assunto). Hollywood já percebeu o nicho e começa a trazer uma safra de jogos para o cinema. Por muito tempo as produtoras utilizavam adaptações literárias, biografias e narrativas de roteiristas da casa. Existe hoje na indústria americana de cinema um setor de pesquisa para novas mídias, que busca novas alternativas para criação e fonte para roteiros de filmes. Estão em vista produtos eletrônicos como bonecos, bonecas, carros ( a série Wheels de carros de corrida também vai virar filme), histórias em quadrinhos, e, não poderíamos deixar de dizer, videogames. Estão para sair "Doom", entre tantos outros (saiu recentemente em DVD " Alone in the dark"). São todos filmes fracos, a maior preocupação ainda são com efeitos especiais. Imagino que com o tempo surjam roteiristas de boa paga para cuidar desses filmes.

22 de jul. de 2005

A montanha da alma

Só o título já merecia a leitura do livro. A montanha da alma, de Gao Xingjian, da Objetiva, é um romance que contempla a China nos anos 70. Gao Xingjian é radicado na França e foi vencedor do prêmio Nobel de 2000. A história é ínfima: um viajante percorre o interior da China em busca da "Montanha da alma". A narrativa é sustentada por diversas vozes em 1a, 2a e 3a pessoas, e formas literárias diversas como o relato, o ensaio, canções populares. De fato, os personagens estão submetidos à estrutura do romance, a preocupação é discutir a cultura chinesa os dramas do Homem referentes à morte, nascimento, arte. É uma obra aberta, dividida em pequenos capítulos que poderiam continuar quase que infinitamente ( um problema apontado por Massaud Moisés, crítico literário. O drama do romance não é começar mas terminar!). Essa multiplicidade de vozes, de início, confundem o leitor, porém ao longo do texto o próprio narrador explicita sobre o assunto: existe somente um Eu, dividido em várias vozes. Vale a pena ler não somente para conhecer a China cultural, mas principalmente pelo trabalho de artesão so escritor. Aliás, não é à toa que o autor trabalhou por sete anos para elaborar esse romance, uma verdadeira montanha ( belíssima) de 422.

14 de jul. de 2005

A previsão de Cândido Mendes

Nesses dias de mensalão e corrupção no Palácio do Planalto, eu me lembrei de um argumento do cientista político Cândido Mendes, no final dos anos 90. Dizia o renomado cientista que o PSDB de Fernando Henrique estava preparando o governo para a entrada do PT, de Lula, para o próximo mandato, pois o trabalho principal da administração do PT seria o combate à corrupção, principal bandeira das administrações petistas municipais. Imagino quão arrependido deve estar por tais palavras e expectativas...

11 de jul. de 2005

Clubes de futebol e o timemania

Dizem que o " Timemania", nova raspadinha a ser lançada pelo Governo Federal, vai ser a solução para os clubes de futebol brasileiro. Não será. Vai ser a solução para o governo receber o dinheiro referente a dívidas do INSS, entre outros. Podemosa colocar aí uns oito anos, se tudo der certo. Vai permanecer a cartolagem, ou será que eles vão querer sair? Não vão. Ontem, no jogo entre Flamengo e São Paulo (o time de reservas, pois o principal vai disputar a finalíssima da Taça Libertadores) o Flamengo perdeu (2X0), gol contra de Júnior Baiano. Acabou, definitivamente para mim, o Flamengo. Vou ficar com aquele time mitológico, campeão de 82, e também com a seleção brasileira. E com o livro de Eduardo Galeano sobre futebol, da LPM (esqueci o nome do livro, mas é o registro de feitos fantásticos e maravilhosos sobre o futebol esse esporte encantatório).

10 de jul. de 2005

Autran Dourado e Raimundo Carrero: técnicas da ficção

Passei os olhos no novo livro de Raimundo Carrero, Os segredos da ficção, da Ed. Agir, e li recentemente A poética de romance, da Ed. Perspectiva, 1974, de Autran Dourado. São dois bons livros com grandes diferenças. Se alguém quiser conhecer a técnica da ficção, ou mesmo ter um bom instrumental para tornar-se um bom leitor, ler o livro de Carrero é uma ótima oportunidade. Ponto de vista, construção de personagem, cuidados e problemas da escrita. Uma leitura agradável que pretendo aventurar-me assim que puder. Em A Póetica de romance, parece-me que houve uma edição revista e atualizada (o exemplar que li era de 1794), não sei se houve uma mudança significativa. É um livro mais denso, mais reflexivo, testemunho de um fazer poético, do papel mesmo do escritor, do romance. É quase um desabafo escrito com a elegância e a força da narrativa de Autran Dourado, para mim um dos melhores autores da atualidade. Uma diferença fundamental entre os dois livros está na composição da personagem, (claro, há outras questões e pontos que os diferenciam também). Para Autran, a personagem deve estar a serviço da estrutura do romance, como uma grande imagem, ou metáfora, representativa da frase que seja capaz de resumir o romance. Carrero percebe na construção da personagem um item vital, destacando uma força capaz de sobrepujar a própria estrutura do romance. Vale a pena a leitura dos dois livros, ao menos para conhecer as técnicas da ficção.

4 de jul. de 2005

Paranóias e narrativas

Encontrei um site com um subtítulo no mínimo curioso: O lado negro da Net. Na verdade, um conjunto de paranóias, diversas teorias da conspiração, como, por exemplo, a de que o planeta Terra está parando o movimento de rotação (tem um link ensinando como se preparar para o evento, digo, a catástrofe), a inversão dos pólos (Norte e Sul) em 90 graus, arquivos do FBI sobre ETs etc. São narrativas fabulosas, dignas de um Peer Gynt, de uma Emília (aquela mesmo, do Sítio do Pica-Pau Amarelo...). O site é uma compilação de vários sites temáticos. Eis o endereço:

São Paulo Fashion Week

Finalmente acabou a São Paulo Fashion Week. Cada ano que passa a inserção de matérias, seja no jornal, na TV ou mesmo na Internet, aumenta. O tipo de abordagem das matérias são cada vez mais interessantes, do sensual a uma falsa intelectualidade. No site do Terra, por exemplo, algumas chamadas curiosas : "Veja Hickman ( modelo e hoje, apresentadora de TV) de bíquini", "desfile de modelo com os seios descobertos" e entrevista com estilistas quase que num tom ensaístico. Nesses tempos de pós-modernidade (o termo ainda é correto, usual? não sei...), assistindo algumas matérias, refletindo sobre o assunto, penso que hoje a forma é o conteúdo.

1 de jul. de 2005

Poesia e arquitetura em Cecília Meireles

Recentemente li Amor de Leonoreta, de Cecília Meireles. Na verdade, o livro era uma reunião de cinco pequenos e significativos livros da poeta, do início da década de 50. Conheci a autora através de sua crônicas e do livro, talvez sua obra máxima, O Romanceiro da Inconfidência. Mas voltemos ao primeiro livro enunciado aqui. O que me deixou deslumbrado foi o apuro, o cuidado com o verso, a perfeição de quem está esculpindo, entalhando na palavra mesmo, a poesia e a força da imagem e da música. Em Poemas escritos na Índia, sobre usa passagem por aquele país, impressiona o registro da viagem em versos. É possível visualizar e conhecer a Índia. Não eram somente versos ou poemas, porém crônicas, relatos, tal a sensação que me ocorreu ao terminar de ler. O trabalho poético da autora tem a aproximação com a arquitetura de que Ezra Pound sempre denotara. Para ele, a Poesia não deveria fazer parte da Literatura, mas da Arquitetura, devido ao apuro, rigor, constituição e imaginação de ambos os trabalhos. E ainda tem poeta, que se julga poeta, que não consegue fazer sequer uma escansão dos versos.

21 de jun. de 2005

Um documento poético

Assisti "Poeta de sete faces", de Paulo Thiago. Um documentário sobre a obra poética de Carlos Drummond de Andrade. Há um pouco de tudo: leitura de poemas, vida e obra do poeta. Em vários momentos há uma lentidão que imagino intencional, digno de Minas, do mineiro. Mas há belos instantes, flashes, como a casa em que o poeta nasceu, opiniões de Ferreira Gullar, as leituras de Zezé Motta, Antonio Calloni, Paulo Autran.
Meu objetivo era o de apresentar às minhas turmas do ensino médio. Conversar sobre poesia e poetas, algo que venho fazendo há um bom tempo. É certo que seria um desastre, pois não tem a agilidade de um clipe de música, elemento indispensável para a atenção dos meninos. Vou passar "O carteiro e o poeta". Este também não tem o ritmo dos clipes, mas é emotivo, de um humor fino e leve. Falta um pouco disso em "Poeta de sete faces".

6 de jun. de 2005

Malvados

É uma das melhores tiras de humor na internet, mas aquele humor ácido e corrosivo de Jules Feifner, Calvin e Haroldo, Angeli e tantos outros que deixaram saudades. Conheci por acaso em um blog sobre a América Latina (www.locoporti.zip.net). São duas personagens, desenhadas de maneira tosca, que discorrem e vivenciam vários assuntos, temas. Há uma quantidade boa para ler e se divertir. Não vejo em banca, mas acredito que em pouco tempo estará circulando em alguma revista. www.malvados.com.br é atualizado diariamente.

3 de jun. de 2005

Os ensaios de Joseph Brodsky

Joseph Brodsky é um poeta russo, vencedor do Nobel em 1987, morreu em 1996, nos EUA, país que adotou, inclusive a língua. Conheci-o através de seus ensaios, ou melhor, do livro de ensaios Menos que um, da Companhia das Letras, em 1995, numa resenha da Veja, escrita por Diogo Mainardi, o "Mini-mim" do finado Paulo Francis. Por que estou dizendo isso? Levei quase uma década para ler este livro. Lembro que naquela época comecei a ler e me senti perdido, com a sensação de que as palavras estavam ali, porém eu estava um tanto quanto distante. Achei melhor dar um tempo e o tempo foi nos aproximando novamente. Boa parte dos textos falam de uma Rússia que não existe mais, talvez seja interessante para um historiador, não para mim. Todavia restaram os textos literários que, sempre que possível, irei relê-los. Cada linha de texto desse autor guarda um impacto, uma grandeza de pensamento que até hoje surpreende-me. No ensaio " Catástrofes no ar", Brodsky comenta sobre as duas divisões que na literatura russa surgiram após Tolstoi e Dostoievski, de como este deixou marcas profundas e o outro serviu de molde para toda uma geração, no que agradou, e muito, ao comitê soviético. De quebra, narra o panorama literário até a década de 80 ( os ensaios, em sua maioria, são dos anos 80). Não bastasse isso, discute também a arte literária, os caminhos que aos escritores se apresentam. Não quero descrever mais. Vou destacar uma passagem como exemplo:
"Existem, grosso modo, dois tipos de homens e, da mesma maneira, dois tipos de escritores. O primeiro tipo, sem dúvida a maioria, considera que a vida é a única realidade de que dispomos. Transformada em escritor, essa pessoa irá reproduzir esta realidade nos seus mais ínfimos detalhes... Fechar seu livro é como chegar ao fim de um filme... O segundo tipo, a minoria, percebe a sua própria vida, e a de qualquer outro, como um tubo de ensaio para certas qualidades humanas, cuja manutenção sob pressão extrema é crucial para uma versão eclesiástica ou antropológica do advento da espécie. Como escritor, um homem deste tipo não mostrará muito em matéria de detalhe; em vez disso, vai descrever os estados e as guinadas da psique de seus personagens com tal profundidade que você agradece por nunca tê-lo conhecido em pessoa. Fechar seu livro é como acordar de manhã com o rosto mudado." (pág. 112)
Há muitas e muitas passagens que valem uma releitura para novas descobertas. Fico apenas imaginando como deve ser o trabalho poético deste autor...

30 de mai. de 2005

Pega na mentira!!!

Tornado no interior paulista, com grande prejuízo na lavoura. Não teve jeito: caiu mais uma mentira. Passei todo o período escolar ouvindo que no Brasil não havia tornado, furacão... Ano passado tivemos um furacão de porte médio na região Sul. Outra mentira? Está na África. Melhor, nas duas Áfricas: África branca e, mais embaixo, a África negra. Hoje ninguém tem coragem de afirmar tal separação. Estudei isso em Geografia e me sinto enganado.

13 de mai. de 2005

O mar

Salim Miguel decididamente é um dos melhores autores brasileiros da atualidade. Sabe construir uma narrativa densa sem perder a delicadeza. Em Mare nostrum, da editora Record,2004, um romance " desmontável", como o póprio autor sugere, temos a sensibilidade de personagens carismáticas como seo Neno e a força bruta e misteriosa do mar, presente em todos os capítulos. Não há necessariamente uma ordem para a leitura, é possível ler a partir de várias frentes, mas o que faz com que não se torne simplesmemte um livro de contos são os pontos de contatos presente por toda a narrativa. Lembrou-me bastante de uma canção do grupo musical português Madredeus, que poderia servir como uma bela trilha sonora. Está no CD O espírito da paz, de 1994. A música se chama "O mar":
O mar
Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
nem sei se vale apena
tentar-vos descrever
o mar
o mar
e eu aqui fui ficando
só para o poder ver
e fui envelhecendo
sem nunca perceber
o mar
o mar
Pedro Ayres Magalhães
Quem melhor do que os portugueses para entender a poética do mar?

3 de mai. de 2005

O mais belo enigma do Oriente é a cultura árabe

Quem conhece Alberto Mussa? Infelizmente poucos, eu acho. Tive a sorte do meu amigo Henrique insistir na leitura desse escritor severamente desconhecido. Ele é autor de um romance interessante: O enigma de Qaf, da Record, publicado em 2004. A narrativa é um passeio pela língua árabe e as mitologias que cercam essa cultura exótica aos nossos olhos. Lembra vagamente Borges com a exploração de uma lógica absurda, complexa e encantatória em muitos de seus textos, mas trata-se da cultura, da própria língua e da sofisticação do estudo da poesia pré-islâmica, o ponto forte. Há também o enigma, o autor não favorece com as pistas, porém, sinceramente, quem se importa? Estão lá situações, personagens como Xerazade e tantos outros, que o enigma pode ser desvendado numa próxima releitura. Vale a pena.

26 de abr. de 2005

Deus: narrativa literária

Fiquei intrigado com a proposta de Jack Miles, crítico literário, no livro Deus - uma biografia, da Companhia das Letras. Em princípio, o autor deixa claro que o objetivo não é analisar do ponto de vista religioso ou mesmo filosófico, mas a partir da literatura, interpretando a bíblia como obra literária, tendo como principal personagem, Deus. O desenvolvimento do personagem, suas principais características, a personalidade complexa... Utilizando como fonte de trabalho o Tanach, a bíblia hebraica, os primeiros livros do Antigo Testamento, que, se comparados com a bíblia, apresentam uma inversão no tocante à ordem dos livros do Pentateuco.
Intrigado, cinqüenta páginas depois, decepcionado. Tive a nítida impressão de tratar-se apenas de uma especulação narrativa, uma crítica romanceada, não mais que isso. Difícil exercer o direito de não ler, um dos mandamentos empregados por Daniel Pennac em seu livro, Como um romance. Mesmo não gostando, sempre leio, somente para saber se o livro realmente é ruim. E quase sempre esqueço quando o li. Porém, lembrei-me de Lin Yutang que disse certa vez, talvez não com estas palavras: "Livros? Os outros que os leiam." numa alusão sobre a impossibilidade para lermos todos os livros que nos cercam. Pois bem. Enchi-me de coragem e encerrei a leitura de Miles com essa frase: Os outros que o leiam.

18 de abr. de 2005

Janelas de Eduardo Galeano

Terminei de ler mais um belo livro de Eduardo Gaelano: As palavras andantes, LPM, 1994. Infelizmente a mídia não tem dado o devido reconhecimento a este autor uruguaio. Pior: congelaram-no com As veias abertas da América Latina, ivro que toda juventude deveria ler. Mas o autor abandonou esta linha que eu considero carregada de um romantismo aguerrido. Tornou-se contador de histórias. Melhor, colecionador de histórias da América, do Novo Mundo. Ao ler seus livros, sentimo-nos como parte de uma América una, embora dividida pelas línguas. Sentimento de que temos e somos donos de uma imensa e rica tradição cultural que permeia toda américa. Tem um livro que pretendo ler, uma série de causos, narrativas, sobre futebol. Não me lembro do título.
Pois bem... voltemos ao livro que faz jus a este texto. Livro bem elaborado, com xilogravuras de Francisco Borges, histórias maravilhosas. Pequenas narrativas simbólicas, seres fantásticos e janelas, muitas janelas. Cada janela um olhar especial sobre o mundo, sentimentos e idéias. Não vou me estender. Vou terminar com o seguinte texto:
JANELA SOBRE A UTOPIA
Ela está no horizonte - diz Fernando Birri. - Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.

17 de abr. de 2005

Muito tempo depois...

Quase um mês sem postar. Estava estudando, preparando-me para provas do concurso público (fiz recentemente para a prefeitura do Rio). Sempre fico com a consciência pesada nestes momentos: se escrevo para o blog, não estou estudando... se estudo, quero postar por aqui.... fora o estudo o que mais fiz? Nada. Quer dizer, saí, vi um filme ou outro. Para mim o que significa exatamente "nada"? Não li, ou melhor, não li algo que fosse relevante. Como disse uma vez Lin Yutang, autor chinês, sem a leitura prazerosa a conversa de um homem fica sem tempero, sem sal. É isto. Tornei-me um homem de uma conversa sem gosto por esses dias.