Só o título já merecia a leitura do livro. A montanha da alma, de Gao Xingjian, da Objetiva, é um romance que contempla a China nos anos 70. Gao Xingjian é radicado na França e foi vencedor do prêmio Nobel de 2000. A história é ínfima: um viajante percorre o interior da China em busca da "Montanha da alma". A narrativa é sustentada por diversas vozes em 1a, 2a e 3a pessoas, e formas literárias diversas como o relato, o ensaio, canções populares. De fato, os personagens estão submetidos à estrutura do romance, a preocupação é discutir a cultura chinesa os dramas do Homem referentes à morte, nascimento, arte. É uma obra aberta, dividida em pequenos capítulos que poderiam continuar quase que infinitamente ( um problema apontado por Massaud Moisés, crítico literário. O drama do romance não é começar mas terminar!). Essa multiplicidade de vozes, de início, confundem o leitor, porém ao longo do texto o próprio narrador explicita sobre o assunto: existe somente um Eu, dividido em várias vozes. Vale a pena ler não somente para conhecer a China cultural, mas principalmente pelo trabalho de artesão so escritor. Aliás, não é à toa que o autor trabalhou por sete anos para elaborar esse romance, uma verdadeira montanha ( belíssima) de 422.
Desbravando o vasto oceano das ideias. Profissão e vida: literatura, artes, leitura, programação de jogos digitais e modelagem 3D.
22 de jul. de 2005
14 de jul. de 2005
A previsão de Cândido Mendes
Nesses dias de mensalão e corrupção no Palácio do Planalto, eu me lembrei de um argumento do cientista político Cândido Mendes, no final dos anos 90. Dizia o renomado cientista que o PSDB de Fernando Henrique estava preparando o governo para a entrada do PT, de Lula, para o próximo mandato, pois o trabalho principal da administração do PT seria o combate à corrupção, principal bandeira das administrações petistas municipais. Imagino quão arrependido deve estar por tais palavras e expectativas...
11 de jul. de 2005
Clubes de futebol e o timemania
Dizem que o " Timemania", nova raspadinha a ser lançada pelo Governo Federal, vai ser a solução para os clubes de futebol brasileiro. Não será. Vai ser a solução para o governo receber o dinheiro referente a dívidas do INSS, entre outros. Podemosa colocar aí uns oito anos, se tudo der certo. Vai permanecer a cartolagem, ou será que eles vão querer sair? Não vão. Ontem, no jogo entre Flamengo e São Paulo (o time de reservas, pois o principal vai disputar a finalíssima da Taça Libertadores) o Flamengo perdeu (2X0), gol contra de Júnior Baiano. Acabou, definitivamente para mim, o Flamengo. Vou ficar com aquele time mitológico, campeão de 82, e também com a seleção brasileira. E com o livro de Eduardo Galeano sobre futebol, da LPM (esqueci o nome do livro, mas é o registro de feitos fantásticos e maravilhosos sobre o futebol esse esporte encantatório).
10 de jul. de 2005
Autran Dourado e Raimundo Carrero: técnicas da ficção
Passei os olhos no novo livro de Raimundo Carrero, Os segredos da ficção, da Ed. Agir, e li recentemente A poética de romance, da Ed. Perspectiva, 1974, de Autran Dourado. São dois bons livros com grandes diferenças. Se alguém quiser conhecer a técnica da ficção, ou mesmo ter um bom instrumental para tornar-se um bom leitor, ler o livro de Carrero é uma ótima oportunidade. Ponto de vista, construção de personagem, cuidados e problemas da escrita. Uma leitura agradável que pretendo aventurar-me assim que puder. Em A Póetica de romance, parece-me que houve uma edição revista e atualizada (o exemplar que li era de 1794), não sei se houve uma mudança significativa. É um livro mais denso, mais reflexivo, testemunho de um fazer poético, do papel mesmo do escritor, do romance. É quase um desabafo escrito com a elegância e a força da narrativa de Autran Dourado, para mim um dos melhores autores da atualidade. Uma diferença fundamental entre os dois livros está na composição da personagem, (claro, há outras questões e pontos que os diferenciam também). Para Autran, a personagem deve estar a serviço da estrutura do romance, como uma grande imagem, ou metáfora, representativa da frase que seja capaz de resumir o romance. Carrero percebe na construção da personagem um item vital, destacando uma força capaz de sobrepujar a própria estrutura do romance. Vale a pena a leitura dos dois livros, ao menos para conhecer as técnicas da ficção.
4 de jul. de 2005
Paranóias e narrativas
Encontrei um site com um subtítulo no mínimo curioso: O lado negro da Net. Na verdade, um conjunto de paranóias, diversas teorias da conspiração, como, por exemplo, a de que o planeta Terra está parando o movimento de rotação (tem um link ensinando como se preparar para o evento, digo, a catástrofe), a inversão dos pólos (Norte e Sul) em 90 graus, arquivos do FBI sobre ETs etc. São narrativas fabulosas, dignas de um Peer Gynt, de uma Emília (aquela mesmo, do Sítio do Pica-Pau Amarelo...). O site é uma compilação de vários sites temáticos. Eis o endereço:
São Paulo Fashion Week
Finalmente acabou a São Paulo Fashion Week. Cada ano que passa a inserção de matérias, seja no jornal, na TV ou mesmo na Internet, aumenta. O tipo de abordagem das matérias são cada vez mais interessantes, do sensual a uma falsa intelectualidade. No site do Terra, por exemplo, algumas chamadas curiosas : "Veja Hickman ( modelo e hoje, apresentadora de TV) de bíquini", "desfile de modelo com os seios descobertos" e entrevista com estilistas quase que num tom ensaístico. Nesses tempos de pós-modernidade (o termo ainda é correto, usual? não sei...), assistindo algumas matérias, refletindo sobre o assunto, penso que hoje a forma é o conteúdo.
1 de jul. de 2005
Poesia e arquitetura em Cecília Meireles
Recentemente li Amor de Leonoreta, de Cecília Meireles. Na verdade, o livro era uma reunião de cinco pequenos e significativos livros da poeta, do início da década de 50. Conheci a autora através de sua crônicas e do livro, talvez sua obra máxima, O Romanceiro da Inconfidência. Mas voltemos ao primeiro livro enunciado aqui. O que me deixou deslumbrado foi o apuro, o cuidado com o verso, a perfeição de quem está esculpindo, entalhando na palavra mesmo, a poesia e a força da imagem e da música. Em Poemas escritos na Índia, sobre usa passagem por aquele país, impressiona o registro da viagem em versos. É possível visualizar e conhecer a Índia. Não eram somente versos ou poemas, porém crônicas, relatos, tal a sensação que me ocorreu ao terminar de ler. O trabalho poético da autora tem a aproximação com a arquitetura de que Ezra Pound sempre denotara. Para ele, a Poesia não deveria fazer parte da Literatura, mas da Arquitetura, devido ao apuro, rigor, constituição e imaginação de ambos os trabalhos. E ainda tem poeta, que se julga poeta, que não consegue fazer sequer uma escansão dos versos.
21 de jun. de 2005
Um documento poético
Assisti "Poeta de sete faces", de Paulo Thiago. Um documentário sobre a obra poética de Carlos Drummond de Andrade. Há um pouco de tudo: leitura de poemas, vida e obra do poeta. Em vários momentos há uma lentidão que imagino intencional, digno de Minas, do mineiro. Mas há belos instantes, flashes, como a casa em que o poeta nasceu, opiniões de Ferreira Gullar, as leituras de Zezé Motta, Antonio Calloni, Paulo Autran.
Meu objetivo era o de apresentar às minhas turmas do ensino médio. Conversar sobre poesia e poetas, algo que venho fazendo há um bom tempo. É certo que seria um desastre, pois não tem a agilidade de um clipe de música, elemento indispensável para a atenção dos meninos. Vou passar "O carteiro e o poeta". Este também não tem o ritmo dos clipes, mas é emotivo, de um humor fino e leve. Falta um pouco disso em "Poeta de sete faces".
6 de jun. de 2005
Malvados
É uma das melhores tiras de humor na internet, mas aquele humor ácido e corrosivo de Jules Feifner, Calvin e Haroldo, Angeli e tantos outros que deixaram saudades. Conheci por acaso em um blog sobre a América Latina (www.locoporti.zip.net). São duas personagens, desenhadas de maneira tosca, que discorrem e vivenciam vários assuntos, temas. Há uma quantidade boa para ler e se divertir. Não vejo em banca, mas acredito que em pouco tempo estará circulando em alguma revista. www.malvados.com.br é atualizado diariamente.
3 de jun. de 2005
Os ensaios de Joseph Brodsky
Joseph Brodsky é um poeta russo, vencedor do Nobel em 1987, morreu em 1996, nos EUA, país que adotou, inclusive a língua. Conheci-o através de seus ensaios, ou melhor, do livro de ensaios Menos que um, da Companhia das Letras, em 1995, numa resenha da Veja, escrita por Diogo Mainardi, o "Mini-mim" do finado Paulo Francis. Por que estou dizendo isso? Levei quase uma década para ler este livro. Lembro que naquela época comecei a ler e me senti perdido, com a sensação de que as palavras estavam ali, porém eu estava um tanto quanto distante. Achei melhor dar um tempo e o tempo foi nos aproximando novamente. Boa parte dos textos falam de uma Rússia que não existe mais, talvez seja interessante para um historiador, não para mim. Todavia restaram os textos literários que, sempre que possível, irei relê-los. Cada linha de texto desse autor guarda um impacto, uma grandeza de pensamento que até hoje surpreende-me. No ensaio " Catástrofes no ar", Brodsky comenta sobre as duas divisões que na literatura russa surgiram após Tolstoi e Dostoievski, de como este deixou marcas profundas e o outro serviu de molde para toda uma geração, no que agradou, e muito, ao comitê soviético. De quebra, narra o panorama literário até a década de 80 ( os ensaios, em sua maioria, são dos anos 80). Não bastasse isso, discute também a arte literária, os caminhos que aos escritores se apresentam. Não quero descrever mais. Vou destacar uma passagem como exemplo:
"Existem, grosso modo, dois tipos de homens e, da mesma maneira, dois tipos de escritores. O primeiro tipo, sem dúvida a maioria, considera que a vida é a única realidade de que dispomos. Transformada em escritor, essa pessoa irá reproduzir esta realidade nos seus mais ínfimos detalhes... Fechar seu livro é como chegar ao fim de um filme... O segundo tipo, a minoria, percebe a sua própria vida, e a de qualquer outro, como um tubo de ensaio para certas qualidades humanas, cuja manutenção sob pressão extrema é crucial para uma versão eclesiástica ou antropológica do advento da espécie. Como escritor, um homem deste tipo não mostrará muito em matéria de detalhe; em vez disso, vai descrever os estados e as guinadas da psique de seus personagens com tal profundidade que você agradece por nunca tê-lo conhecido em pessoa. Fechar seu livro é como acordar de manhã com o rosto mudado." (pág. 112)
Há muitas e muitas passagens que valem uma releitura para novas descobertas. Fico apenas imaginando como deve ser o trabalho poético deste autor...
30 de mai. de 2005
Pega na mentira!!!
Tornado no interior paulista, com grande prejuízo na lavoura. Não teve jeito: caiu mais uma mentira. Passei todo o período escolar ouvindo que no Brasil não havia tornado, furacão... Ano passado tivemos um furacão de porte médio na região Sul. Outra mentira? Está na África. Melhor, nas duas Áfricas: África branca e, mais embaixo, a África negra. Hoje ninguém tem coragem de afirmar tal separação. Estudei isso em Geografia e me sinto enganado.
13 de mai. de 2005
O mar
Salim Miguel decididamente é um dos melhores autores brasileiros da atualidade. Sabe construir uma narrativa densa sem perder a delicadeza. Em Mare nostrum, da editora Record,2004, um romance " desmontável", como o póprio autor sugere, temos a sensibilidade de personagens carismáticas como seo Neno e a força bruta e misteriosa do mar, presente em todos os capítulos. Não há necessariamente uma ordem para a leitura, é possível ler a partir de várias frentes, mas o que faz com que não se torne simplesmemte um livro de contos são os pontos de contatos presente por toda a narrativa. Lembrou-me bastante de uma canção do grupo musical português Madredeus, que poderia servir como uma bela trilha sonora. Está no CD O espírito da paz, de 1994. A música se chama "O mar":
O mar
Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
nem sei se vale apena
tentar-vos descrever
o mar
o mar
e eu aqui fui ficando
só para o poder ver
e fui envelhecendo
sem nunca perceber
o mar
o mar
Pedro Ayres Magalhães
Quem melhor do que os portugueses para entender a poética do mar?
3 de mai. de 2005
O mais belo enigma do Oriente é a cultura árabe
Quem conhece Alberto Mussa? Infelizmente poucos, eu acho. Tive a sorte do meu amigo Henrique insistir na leitura desse escritor severamente desconhecido. Ele é autor de um romance interessante: O enigma de Qaf, da Record, publicado em 2004. A narrativa é um passeio pela língua árabe e as mitologias que cercam essa cultura exótica aos nossos olhos. Lembra vagamente Borges com a exploração de uma lógica absurda, complexa e encantatória em muitos de seus textos, mas trata-se da cultura, da própria língua e da sofisticação do estudo da poesia pré-islâmica, o ponto forte. Há também o enigma, o autor não favorece com as pistas, porém, sinceramente, quem se importa? Estão lá situações, personagens como Xerazade e tantos outros, que o enigma pode ser desvendado numa próxima releitura. Vale a pena.
26 de abr. de 2005
Deus: narrativa literária
Fiquei intrigado com a proposta de Jack Miles, crítico literário, no livro Deus - uma biografia, da Companhia das Letras. Em princípio, o autor deixa claro que o objetivo não é analisar do ponto de vista religioso ou mesmo filosófico, mas a partir da literatura, interpretando a bíblia como obra literária, tendo como principal personagem, Deus. O desenvolvimento do personagem, suas principais características, a personalidade complexa... Utilizando como fonte de trabalho o Tanach, a bíblia hebraica, os primeiros livros do Antigo Testamento, que, se comparados com a bíblia, apresentam uma inversão no tocante à ordem dos livros do Pentateuco.
Intrigado, cinqüenta páginas depois, decepcionado. Tive a nítida impressão de tratar-se apenas de uma especulação narrativa, uma crítica romanceada, não mais que isso. Difícil exercer o direito de não ler, um dos mandamentos empregados por Daniel Pennac em seu livro, Como um romance. Mesmo não gostando, sempre leio, somente para saber se o livro realmente é ruim. E quase sempre esqueço quando o li. Porém, lembrei-me de Lin Yutang que disse certa vez, talvez não com estas palavras: "Livros? Os outros que os leiam." numa alusão sobre a impossibilidade para lermos todos os livros que nos cercam. Pois bem. Enchi-me de coragem e encerrei a leitura de Miles com essa frase: Os outros que o leiam.
18 de abr. de 2005
Janelas de Eduardo Galeano
Terminei de ler mais um belo livro de Eduardo Gaelano: As palavras andantes, LPM, 1994. Infelizmente a mídia não tem dado o devido reconhecimento a este autor uruguaio. Pior: congelaram-no com As veias abertas da América Latina, ivro que toda juventude deveria ler. Mas o autor abandonou esta linha que eu considero carregada de um romantismo aguerrido. Tornou-se contador de histórias. Melhor, colecionador de histórias da América, do Novo Mundo. Ao ler seus livros, sentimo-nos como parte de uma América una, embora dividida pelas línguas. Sentimento de que temos e somos donos de uma imensa e rica tradição cultural que permeia toda américa. Tem um livro que pretendo ler, uma série de causos, narrativas, sobre futebol. Não me lembro do título.
Pois bem... voltemos ao livro que faz jus a este texto. Livro bem elaborado, com xilogravuras de Francisco Borges, histórias maravilhosas. Pequenas narrativas simbólicas, seres fantásticos e janelas, muitas janelas. Cada janela um olhar especial sobre o mundo, sentimentos e idéias. Não vou me estender. Vou terminar com o seguinte texto:
JANELA SOBRE A UTOPIA
Ela está no horizonte - diz Fernando Birri. - Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.
17 de abr. de 2005
Muito tempo depois...
Quase um mês sem postar. Estava estudando, preparando-me para provas do concurso público (fiz recentemente para a prefeitura do Rio). Sempre fico com a consciência pesada nestes momentos: se escrevo para o blog, não estou estudando... se estudo, quero postar por aqui.... fora o estudo o que mais fiz? Nada. Quer dizer, saí, vi um filme ou outro. Para mim o que significa exatamente "nada"? Não li, ou melhor, não li algo que fosse relevante. Como disse uma vez Lin Yutang, autor chinês, sem a leitura prazerosa a conversa de um homem fica sem tempero, sem sal. É isto. Tornei-me um homem de uma conversa sem gosto por esses dias.
26 de mar. de 2005
Anos 80
Ontem ocorreu a festa Ploc, no Rio de Janeiro, no Circo Voador. Não fui: preguiça, chuva, preguiça... um revival dos anos 80, época de minha adolescência. Bastaram quinze anos para percebermos o acúmulo cultural dessa época. Um seriado americano cujo tema são os anos 80, um livro que reúne aspectos culturais dessa geração (da Ediouro, não lembro o título), e agora as festas. Resolvi postar os principais eventos que me marcaram nos anos 80:
Filme: Os gremlins (I e II); De volta para o futuro (I,II e III); Jornada nas Estrelas - A ira de Khan; Os garotos perdidos; E.T.;
Bandas: Paralamas, Legião, Ultraje a rigor, Blitz, RPM, U2...
Futebol: Copa do Mundo de 82, Flamengo de 82 (Mundial de Clubes)...
Tênis: Rainha Yate (o azul e o marrom, com o branco era possível pintar e fazer "quadriculados")...
Roupa: Company, Lighting Bolt, K & K, Anonimato, KGB...
Quem quiser pode completar nos comentários que eu coloco por aqui.
25 de mar. de 2005
Comunicação pelo mundo
Tem todo jeito de uma enciclopédia, mas não é. Trata-se de um belo (e grande em suas medidas) livro encadernado e fartamente ilustrado sobre os meios de comunicação - origens e evoluções. O mundo em comunicação, de Silvana Gontijo, da Editora Aeroplano, pode ser dividido em duas partes: tecnologias da comunicação, uma visão geral, e histórico dos mídias ao redor do mundo, com ênfase na história no Brasil. Nesta parte há um "atlas brasileiro de comunicação" escrito por vários autores, dentre eles Ricardo Cravo Albin, sobre o Rio de Janeiro, apresentando um breve relato de cada um dos estados. Para tornar-se um pouco mais completo, faltou um breve relato oficial das políticas de telecomunicações no país ao menos até a década de 90, uma vez que foi publicado em 2002, havendo também o patrocínio da Embratel. Mas estão lá algumas curiosidades da propaganda, do rádio, da televisão... Escrito numa linguagem leve, sendo um bom material de referência e pesquisa. O tipo de livro que vale a pena ter em casa.
14 de mar. de 2005
A República Mundial das Letras: modus operandi
Terminei recentemente de ler A República mundial das Letras, de Pascale Casanova, Estação Liberdade. A autora discute a possibilidade de demarcação do universo das Letras utilizando termos da economia, como acumulação de capital (literário), entre outros. A capital da Literatura Internacional, segundo Casanova, seria Paris, tendo como concorrentes o eixo Londres-Nova Iorque. Nas línguas de menor acumulação literária, vamos chamar assim, como a espanhola e a portuguesa, teríamos, respectivamente, Barcelona e o eixo São Paulo-Lisboa. De início a autora narra como a língua francesa buscou sobrepujar-se à língua latina, então dominante, e, em seguida, outras línguas, como a inglesa e a alemã, que buscaram nivelar-se à língua francesa, posteriormente. Apresentando o universo literário como campo de luta, Casanova destaca alguns grupos de escritores: os assimilados, que abdicam da língua nativa a favor da francesa ou inglesa, os tradutores, que para escaparem do ostracismo precisam traduzir-se para sobreviver; os revoltados, que lutam pelo reconhecimento a partir da língua nativa, como alguns escritores africanos e os revolucionários, que construíram uma língua internacional, como James Joyce, William Faulkner. Livro muito interessante, sobretudo pela parte referente à edição de livros sob a ótica dos conglomerados de entretenimento que estão absorvendo editoras, impondo suas altas margens de lucro, taxas de retorno, na produção e distribuição no mercado literário.
2 de mar. de 2005
Versão nacional
Estão para sair fotos do casal sensação do ano, Ronaldinho e Cicarelli, mostrando sensualidade em preto e branco. Tudo indica que os mesmos devem seguir os caminhos do casal inglês David Beckham e Victoria. Provavelmente o amigo Beckham, que joga ao seu lado nos Galácticos (time do Real Madrid) está dando algumas dicas. Eles devem seguir à risca porque, certamente, a tentação é forte... Ah! vaidade, vaidade, tudo é vaidade... Teremos uma versão nacional?
Assinar:
Postagens (Atom)