Está saindo nas bancas o DVD da série "Cosmos", de Carl Sagan pela revista Superinteressante. Pretendo comprar e colecionar. O site Nomínimo noticiou o fato, mas se refere ao mesmo como indicado para crianças de 7 a12 anos (rsss). Passei desssa idade faz anos, porém ainda é um assunto que atrai minha curiosidade. Lembro de uma fase em que lia bastante literatura científica, voltada em boa parte para o público leigo. Dentre outros, li Breve história do tempo, de Hawking, e O bico do tentilhão, de Jonathan Weiner. Este foi para mim uma leitura maravilhosa. Trata-se do acompanhamento da vida dos tentilhões, numa das ilhas Galápagos, e suas recorrentes adaptações ao meio, expressão maior da teoria da evolução das espécies, de Darwin. Quanto ao outro, foi uma leitura decepcionante. Saí com mais perguntas e respostas frouxas, quase incompreensíveis. Porém há uma nova versão, ele reescreveu junto com um jornalista da área científica, preocupando-se, enfim, com os leigos. O discurso científico é sedutor. O discurso filosófico também, mas fiquemos, por agora, com o primeiro. Onde está a sedução? Para mim, está na organicidade de um sistema descrito no encantamento da lógica, sobretudo quando comparamos com a irracionalidade do mundo. Também acho que está na aventura da descoberta, no desafio mental, no jogo de linguagem. A ciência ainda (?) não é a resposta para o desafio do mundo, da vida. Mas não está desprovido do espectro do maravilhoso.
Desbravando o vasto oceano das ideias. Profissão e vida: literatura, artes, leitura, programação de jogos digitais e modelagem 3D.
11 de dez. de 2005
1 de dez. de 2005
jornalismo impresso X blog?
Eu nunca acreditei nisso. Evidente que existe uma crise na mídia impressa com o advento da internet, desde então. Mas, ainda assim, não acredito na "morte do jornalismo impresso". Imagino que uma solução seriam matérias mais aprofundadas, investigativas, porque em termos de velocidade, não há como comparar com a internet, e talvez por isso, acredito nos erros que esta velocidade de informação pode acarretar. Aliás, Baudrillard (se não me engano) já dizia que cada nova tecnologia cria um novo tipo de acidente. Também não acho que o blog será a grande fonte jornalística para o leitor. Deverá haver uma relação de interdependência: o blog como uma grande arena para discussão, espaço em que jornalistas e leitores vão poder questionar, opinar sobre a informação trazida pela informação impressa. Podem dizer o que for sobre a internet, o CD, o DVD, porém o fato mais relevante é que o papel, ou melhor, a impressão no papel persiste por pelo menos 500 anos, sem data para terminar.
17 de nov. de 2005
Lançamento de livro infantil
Márcio Leitão, poeta e escritor, velho conhecido de poesia, vai estar lançando o livro infantil Álvaro, o urubu, da editora Zeus, no 7o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no jardim do Museu de Arte moderna - MAM, no dia 20 de novembro, às 11 horas da manhã. O endereço é: Av. Dom Infante Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ. Se eu não me engano, este é o segundo livro infantil que ele está publicando...
7 de nov. de 2005
Lançamento de livro
Lançamento do livro Contos sobre tela, organizado por Marcelo Moutinho para a Editora Pinakotheke, vai acontecer no próximo dia 8 de novembro, a partir das 20h, na galeria da própria Pinakotheke (um sobrado de época lindo, lindo, na Rua São Clemente, Rio de Janeiro). A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.
Leituras na web
Tenho lido alguns blogs muito bons na internet. Textos ágeis, de boa leitura, temas interessantes. Resolvi partilhar minha leitura, então.
Sobre o Rio de Janeiro e eventos culturais, vejo sempre o blog do Marcelo Moutinho, escritor e jornalista: http://pentimento.zip.net/
Sobre Relações Internacionais, cotidiano, o blog de Mauricio Santoro e JD: http://www.osconspiradores.blogspot.com/
Sobre humor, o blog do meu amigo Henrique Rodrigues, escritor e poeta: http://www.fullbag.blogger.com.br/
Sobre política, os blogs dos jornalistas Josias de Souza e Ricardo Noblat http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ http://noblat1.estadao.com.br/noblat/
Por último, o blog do jornalista Jorge Pontual, repórter da Globo, que utiliza o blog para comentar sobre cultura, gastronomia, política, música (clássica, principalmente). Detalhe: quem gosta de Charles Baudelaire vai adorar o site. http://nyontime.blogspot.com/ Estes blogs são, para mim, leituras quase diárias.
20 de out. de 2005
Corpo discente
Para quem não sabe, trata-se de alunos, do conjunto de alunos. Tenho sido apontado por meus alunos do Segundo Grau no CIEP em Itaboraí, interior do Rio de Janeiro, como um dos mais perversos professores. Comentam que as minhas provas de português são difíceis e, o pior, têm dez questões! Eles não estão acostumados com uma prova tão extensa. Na verdade, não estão acostumados com a palavra escrita. Muito complicado... Praticamente não lêem nada, nem jornal de esportes, arrisco-me a dizer que o pouco contato com a escrita está condensada ao colégio. O CIEP não oferece cópias de textos para os alunos, os mesmos quase sempre reclamam quando precisam pagar para tirar cópia. Não é possível utilizar a biblioteca, da forma que gostaria. Há bons livros, mas em geral poucos têm oito ou nove de uma mesma edição. Freqüento bastante a biblioteca, já me disseram que aquela é uma das poucas da região, e, atualmente, quase não recebe novas remessas. Como suponho que o CIEP, desculpe, agora se chama " Brizolão", tenha cerca de 700 alunos, vi, até hoje, somente três alunas que realmente são leitoras. Não vejo mudança a curto prazo. Porém acredito que é preciso planejar atividades e possibilidades para que as futuras mães dessa geração possam relevar a importância da leitura na educação dos filhos. Não sei como poderia ser feito. Tenho andado pessimista por estes dias...
4 de out. de 2005
PROALFA: anos de experiência
Ontem, dia 3 de outubro, foi aniversário do PROALFA, Programa de Alfabetização da UERJ. Participei da história desse programa. Dentre as comemorações, Houve o lançamento de um livro com os textos dos alunos da Terceira Idade que participam das classes de alfabetização. Na época, tomei contato com a alfabetização, li bons livros sobre o tema, e trilhei uma parte de minha vida nesse trabalho com alfabetização de jovens e adultos, comunidades carentes... Rapidamente descobri que são pouquíssimos programas sociais sérios, em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Foi emocionante ver os alunos, alguns de minha época de trabalho, receberem os exemplares do livro, uma coletânea. Realmente somos uma sociedade que valoriza por demais a cultura escrita. Assistir aos alunos, emocionados, falarem sobre a vitória que alcançaram ao publicarem no livro, sobre o valor que davam agora à escrita, foi maravilhoso. Rever algumas pessoas de uma época feliz de minha vida também. Parabéns ao PROALFA e à Profa. Anna Helena Moussatchè, diretora, pessoa querida por muitos. Tive sorte em conhecê-la e trabalhar ao seu lado.
26 de set. de 2005
A nova realidade dos CIEPS: parte I
Quem vive no Rio de Janeiro sabe que o CIEP foi uma criação de Leonel Brizola, em seu primeiro mandato, se não me engano lá pelos idos de 82, visando o horário integral com assistência médica, esporte e educação. Ao longo da rodovia Rio-Manilha, por exemplo, é possível ver pelo menos uns seis ou sete. Há CIEP pra todos os lados do Estado. Os professores precisam agradecer ao ex-Governador em suas orações. Graças a ele haverá trabalho por um longo tempo, pois não há como preencher todas as vagas através de concurso público. Sempre teremos contrato e dobra de horários para os concursados. Talvez seja por isso que a Governadora Rosinha decidiu mudar o nome, já publicado no Diário Oficial, para "Brizolão". Isso mesmo. Hoje o CIEP é reconhecido pelo Estado como Brizolão. Faz sentido... Não existe mais horário integral, falta cópia para os professores, todas as escolas têm problemas graves de acústica (como as paredes são baixas, os professores, ao discursarem em sala de aula, têm cerca de 50% da voz emitida dispersa, uma vez que não há barreira que possa impedir tamanha dispersão da voz. Resultado: o professor precisa sempre aumentar o tom da voz para que o aluno que está no final da sala possa escutá-lo). Problemas da construção? correto, porém pouco ou nada foi feito até hoje... (continua)
20 de set. de 2005
Jeanette Winterson: Inscrito no corpo
Foi para mim uma surpresa agradável ler Inscrito no corpo, da editora Rocco, acho que um dos primeiros livros publicados por aqui de Jeanette Winterson, autora inglesa. Fiquei curioso, após sua passagem meteórica na FLIP ( Feira Internacional Literária de Paraty) deste ano, no Rio de Janeiro. Ativista política, simplesmente convidou a todos para fazer um protesto contra a Petrobrás (na época a Petrobrás estava para fazer algumas operações próximas a Paraty que iriam, segundo a opinião dos ambientalistas, degradar o meio-ambiente). Baixinha, mas com um discurso de gigante, não somente participou mas, pelo que li, foi uma das apresentações mais interessantes do evento. Quando passei na Biblioteca Municipal do Engenho Novo, estava lá o livro de pouco mais de 170 páginas, convidando-me para a leitura. Trata-se de um romance muito interessante. Procura retratar sobre as nuances do amor no nível mesmo do corpo fisiológico, no que tem de original. Na verdade, em muitas passagens há o misto de ensaio com o discurso científico sobre a natureza do amor,flertando também com outros gêneros literários como o conto, a partir de um triângulo amoroso: uma mulher casada, seu amante e um marido frio e distante com uma voz narrativa bissexual, sob a ótica do amante. Achei engraçado que no texto de apresentação do romance, somos levados a crer que exista mais de uma voz narrativa que ora se apresenta masculina, ora , feminina. Nada disso. Uma voz somente que se apresenta bissexual, talvez reflexo (sem querer empobrecer o romance, longe disso) da natureza sexual da própria autora, assumidamente bissexual.
Quem quiser conhecer mais sobre a autora pode acessar a página pessoal: www.jeanettewinterson.com
16 de set. de 2005
Vendaval de informações e Lúcia Hipóllito
Quem lê o blog do jornalista Ricardo Noblat ( http://noblat.ultimosegundo.ig.com.br/noblat/) recebe a notícia fresquinha sobre a política nacional. Como estamos em crise, ler todos os detalhes, o disse-me-disse, acompanhar as CPIs, tem sido difícil. Mas é aí que entra a comentarista política Lúcia Hipóllito. Ela faz a análise brilhante, objetiva e sempre direto no olho do furacão. Ler a coluna dessa brilhante cientista política é um prazer. Foi a maneira que encontrei para escapar de vendaval de informações. Além de participar do blog, parece-me que ela também participa de uma mesa redonda no Programa do JÔ, na Rede globo, às quartas-feiras, junto com outras comentaristas, para discutir a crise.
12 de set. de 2005
Briga de vira-latas
Ficou claro que Severino Cavalcanti não vai deixar a presidência. Vai resistir ao máximo. A partir de sua entrevista sofrível (dei bastante risadas quando ele pedia para que os jornalistas publicassem boas notícias sobre a coletiva!!). Que coragem! Este homem era digno de uma personagem de Machado de Assis. Tamanha empáfia com as palavras, assimetricamente destoante com os atos que o conduziram para aquele desfecho, nos permite dizer que teremos uma bela briga de cachorros vira-latas na Câmara dos Deputados. Não quis ofender os cachorros, os vira-latas, mas é a imagem que surge em meus pensamentos. Talvez devesse apostar no bicho, melhor, no cachorro. Porém não sei se o pobre animal é parte na constelação da ilegalidade junto com tantos outros...
11 de set. de 2005
Formação do leitor: bibliografia
Trabalhei por quase dez anos com comunidades carentes. Trabalhei com idosos, adultos, jovens e crianças sempre enfatizando o papel da leitura e da língua portuguesa. Ao longo desses anos formei uma pequena lista de livros que me ajudaram, formaram o meu mundo. Num outro momento descreverei sobre minhas experiências com as comunidades e com o governo, seja na esfera municipal, estadual e federal. A pedido do meu amigo Henrique, elaborei uma lista para um curso, creio que para contadores de história, para formação de agentes de leitura.
ECO, Umberto. Seis passeios no bosque da ficção. São Paulo: Companhia das Letras. 1994.
CHARTIER, Anne Marie e HEBRARD, Jean. Discours sur la lecture (1880-1980). Paris: Centre Georges Pompidou, 1991.
CHARTIER, Roger & CAVALLO, Guglielmo (orgs.). História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, (liv.1), 1998.
FOUCAULT, M. A Ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
LAJOLO, Marisa. Do Mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
LAJOLO, Marisa, ZILBERMAN, Regina. A Formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1996.
OLSON, David. O Mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo: Ática, 1997.
OLSON, David R. e TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1995.
PROUST, Marcel. Sobre a Leitura. Campinas, 1990.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Ed. Rocco
Ver os sites:
http://www.leiabrasil.org.br/publicacoes_livros.htm
http://www.unicamp.br/iel/memoria/
e autores como Fanny Abramovich e Ezequiel Theodoro da Silva
CHARTIER, Anne Marie e HEBRARD, Jean. Discours sur la lecture (1880-1980). Paris: Centre Georges Pompidou, 1991.
CHARTIER, Roger & CAVALLO, Guglielmo (orgs.). História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, (liv.1), 1998.
FOUCAULT, M. A Ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
LAJOLO, Marisa. Do Mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
LAJOLO, Marisa, ZILBERMAN, Regina. A Formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1996.
OLSON, David. O Mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo: Ática, 1997.
OLSON, David R. e TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1995.
PROUST, Marcel. Sobre a Leitura. Campinas, 1990.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Ed. Rocco
Ver os sites:
http://www.leiabrasil.org.br/publicacoes_livros.htm
http://www.unicamp.br/iel/memoria/
e autores como Fanny Abramovich e Ezequiel Theodoro da Silva
10 de set. de 2005
Os negociadores da mentira
Estamos conhecendo dois: Severino Cavalcanti e José Dirceu. O primeiro irá negar, negar e negar, três vezes, para que a mentira torne-se verdade, buscando, enfim, um sopro de vida e continuidade do mandato à frente da Câmara dos Deputados. O segundo, mais sinuoso, esgueirou-se através do silêncio para negociar pequenas falhas jurídicas, pontos de tensão, para, enfim, buscar um mínimo de redenção. Um verdadeiro paradoxo para quem um dia almejou a presidência ou talvez nem isso, mas estar ao lado do poder, ser uma espécie de voz da consciência, um arremedo do grilo falante. Ambos irão negociar as mentiras até o fim, como num jogo de pôquer, vão usar todas as cartas, todos os artíficios. Uma aula de política mesquinha e pequena.
9 de set. de 2005
Sombras da morte em "A queda! Os últimos dias de Hitler"
Fiquei impressionado com o filme. Bruno Ganz interpreta Hitler com um vigor e temor que nos choca. Porém chocante mesmo é o suicídio, a sombra da morte que percorre por todo o filme, e o ato patético em si, pelos olhos de quem idolatrava Hitler, arruinado, Eva Braun alucinada, ambos negando veemente a realidade que os permeia: a guerra acabou, tudo foi destruído, todos os sonhos de grandeza. Seus generais completamente aturdidos, entregues aos delírios do álcool e aos impropérios do Füher. O suicídio, como ato final dessa loucura que foi a 2ª Guerra Mundial, surge carregado de alívio, enfado, temor e com um peso niilista que esmaga e sufoca quem assiste ao filme. A negação da esperança com o assassinato dos filhos de Goebbels, perpetrada pela esposa, num ato de louvor ao Nazismo foi, para mim, terrível. Assim como o garoto, jovem soldado que recebe uma medalha do Füher por ato de bravura, que percebe, ao ver os amigos mortos, seus companheiros de infância e de luta, despe-se do manto da guerra e retorna ao lar com uma espécie de filho pródigo. E por tratar-se de uma loucura, tem os pais mortos pelos próprios soldados alemães, caminhando para um mundo sem sentido. Sente-se no corpo decadente de Hitler o ódio não mais por judeus, mas por toda a humanidade como a derrocada final. O filme segue a trama aos olhos da jovem secretária de Hitler. Aliás, inicia-se o filme com o depoimento da secretária nos dias atuais e encerra-se com um mea culpa honesto e sensível, de quem, deslumbrada com o mundo e a curiosidade juvenil de estar no centro da história, ao trabalhar com o ditador, não se apercebeu da violência e do banho de sangue, inadmissível em sua própria opinião, que manchou para sempre a Alemanha.
8 de set. de 2005
O espetáculo da seleção brasileira
Não tenho dúvidas de que hoje a seleção só perde para ela mesma. Não importa nem se vai jogar com os quatros (carinhosamente chamada de “Quarteto Fantástico”) ou os cinco. Simplesmente não há adversário que tenha o mesmo plantel (palavra interessante essa) que o nosso time. Concentrada para uma partida, como a que realizou com o Chile, deverá esmagar os times inferiores (ainda existem) em poucos minutos e descansar ao longo da partida. Como no auge das lutas do Mike Tyson. Queriam espetáculo? Em segundos, Tyson destruía seus inimigos. Não havia tempo para isso. Espetáculo somente nos primeiros filmes de Rocky, estrelado por Silvester Stallone. Com a seleção teremos espetáculo até os 40 minutos do primeiro tempo. Depois de morto o inimigo, como nas grandes batalhas, o repouso do guerreiro ao longo do segundo tempo. Hoje o maior inimigo é a vaidade e a presunção. Na imprensa há o comentário de que esta é a melhor seleção de todos os tempos. Ainda não. Para mim, foram três: a de 70, que nunca assisti (ainda era um projeto de vida), mas percorre todo o imaginário dos brasileiros e estrangeiros (vide a homenagem que o diretor britânico Ken Loach realizou no filme “Meu nome é Joe”) com uma vitalidade impressionante; a de 1982, assistida, e que até hoje me emociona; a de 2002, que daria um belo filme com a seguinte sinopse: seleção desacreditada, com o ídolo Ronaldinho tendo que provar para si mesmo e para o mundo a sua recuperação, supera todas as adversidades em um belíssimo campeonato. Fosse um esporte consagrado nos EUA, Hollywood já teria filmado. Aguardemos a Copa do Mundo, portanto, o apito para o início do jogo. Nesse momento da partida, o ponto zero, a verdadeira batalha não será mais travada no campo mas na mente dos jogadores.
5 de set. de 2005
Katrina e o verniz da Humanidade
Duro ver New Orleans arrasada pelo furacão Katrina. Tira-nos a certeza de que, definitivamente, não há lugar seguro no mundo. E temos que conviver com a incerteza do mundo que o Capitalismo tanto escondeu e lutou para disfarçar através de suas falsas benesses. Pior ainda foi saber que, através dos estupros, saques, falta de segurança na cidade, suicídios, tantas e tantas mortes caiu o verniz da humanidade. Sim, bastou arrancar o mínimo de vestígio civilizatório para vermos a bestialidade do homem. Ser humano ainda é uma utopia. Para ver como vai acabar tudo isso recomendo a leitura do romance de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, Companhia das Letras. Não ocorre a fúria de um furacão no livro, mas uma crise de valores, na minha opinião, idêntica. Também acredito que os orientais tenham muito para nos ensinar, sobre como nos comportar diante de uma tragédia como essa, haja vista a destruição provocada pelas monções, todos os anos.
1 de set. de 2005
Descobrindo Balzac
Nunca tinha lido Balzac. Comprei um livro do autor no original, La Maison du Chat-qui-Pelot, para manter em dia o meu francês, na verdade, quero melhorar meu domínio sobre o idioma (rssss). Deparei-me com uma história de vida interessante: o escritor foi uma verdadeira máquina literária, uma produção de causar inveja a qualquer um, sofreu por um amor que só pôde ser consumado já perto de sua morte; e mais, procurou sempre defender a mulher da opressão da sociedade, baseado no convívio com suas irmãs, mais especificamente Laurence. Tem sido uma leitura difícil, junto com dicionário, sempre, mas bastante prazerosa. Chama a atenção do leitor o papel da descrição no texto de Balzac. A descrição das roupas dos personagens, nos mínimos detalhes, por exemplo, estão associadas a características psicológicas, como num corpo só. Difícil separar o físico do psicológico. Autores contemporâneos não fazem isso. Poucos trabalham com a descrição, buscando a palavra certa, com o objetivo de traçar uma característica. Muitos vão dizer que hoje o romance moderno jogou a descrição, técnica de produção de texto, para escanteio. Importante a sugestão, a cortina de fumaça. Concordo. Mas ler Balzac, até o momento, tem sido também uma lição de técnica literária. Nada está solto no texto. Aliás, como disse Autran Dourado, o escritor precisa conhecer as palavras comuns, dominar o substantivo que dá nome ao mundo, na minha opinião, descrever, descrever, descrever...
29 de ago. de 2005
Longa ausência
Após um tempo longe do blog, passando ao largo... Resolvi postar baseado na frase em que a raposa diz ao pequeno príncipe (sim, O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupèry). "A espera aumenta o desejo"...
4 de ago. de 2005
cinema e videogames
Não sou fanático por videogames, mas preciso dizer que as narrativas que introduzem aos jogos, que acompanham o jogador ao longo da disputa, estão cada vez mais elaboradas. Para uma nova geração que não estabeleceu contato com a literatura, acredito que os videogames mais elaborados são hoje o que podemos chamar de best-sellers. Existe uma geração eletrônica que não somente joga, mas "lê" e curte as narrativas dos jogos, narrativas essas baseadas na estrutura mítica do herói (devo falar mais tarde sobre esse assunto). Hollywood já percebeu o nicho e começa a trazer uma safra de jogos para o cinema. Por muito tempo as produtoras utilizavam adaptações literárias, biografias e narrativas de roteiristas da casa. Existe hoje na indústria americana de cinema um setor de pesquisa para novas mídias, que busca novas alternativas para criação e fonte para roteiros de filmes. Estão em vista produtos eletrônicos como bonecos, bonecas, carros ( a série Wheels de carros de corrida também vai virar filme), histórias em quadrinhos, e, não poderíamos deixar de dizer, videogames. Estão para sair "Doom", entre tantos outros (saiu recentemente em DVD " Alone in the dark"). São todos filmes fracos, a maior preocupação ainda são com efeitos especiais. Imagino que com o tempo surjam roteiristas de boa paga para cuidar desses filmes.
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