1 de fev. de 2007

Nova edição de Marcel Proust


Está saindo pela Editora Globo uma nova edição dos livros de Marcel Proust: Em busca do tempo perdido. Serão sete livros com as traduções dos maiores poetas e escritores, dentre eles, Mário Quintana e Carlos Drummond. Precisa dizer mais alguma coisa? Cheguei a ler, numa época bem remota, os três primeiros livros (O Caminho de Swan, O Caminho de Guermantes e Á sombra das raparigas em flor). Como está saindo uma edição por mês, eu acho, vou comprar e, quem sabe, fazer deste ano o ano da leitura d´Em busca do tempo perdido.

P.S.: o quadro é La Grenouillère, de Renoir.

31 de jan. de 2007

O discurso científico explicando e se divertindo com os super-heróis


Há algum tempo venho me reconciliando com minha infância através das histórias em quadrinhos. Até hoje lastimo a venda de minhas revistas, na época, por uma ninharia. Fora preciso, é certo, mas ficou aquele sentimento de perda. Hoje volto ainda que timidamente às leituras e eis que, por acaso, me deparo com A ciência dos super-heróis, de Lois Gresh e Robert Weinberg, da Ediouro. O livro discute sobre como o conhecimento científico pode explicar os poderes de certos super-heróis, como o Homem-aranha ou o Super-homem, por exemplo. Trata-se de uma leitura leve e bem humorada, em que se destaca o texto científico abordado de modo quase didático, bem como o surgimento da era de ouro dos super-heróis na década de quarenta. São discutidos alguns dos principais heróis das duas maiores editoras do ramo, Marvel e DC, porém, ao final temos uma entrevista com alguns roteiristas e desenhistas que discutem sobre o uso da ciência nos quadrinhos atuais; bem como a importância da mesma nos quadrinhos de Carl Barks – para quem não sabe, ele foi o principal desenhista, por anos, do Pato Donald.

27 de nov. de 2006

Memórias e noites: o livro de contos de Marcelo Moutinho

O livro de contos, Somos todos iguais nesta noite, de Marcelo Moutinho, se destaca pela delicadeza extraída a partir de situações aparentemente banais, sobretudo na primeira parte, "Iguais". Neste conjunto, é possível perceber elementos de uma memória social que pontuam cada um dos contos, lembrando, em muitos momentos, trabalhos acadêmicos como Memória e sociedade, de Ecléa Bosi. Convém destacar que o livro de contos não somente resgata, mas partilha com o leitor; o título (tirado de uma canção, creio eu), muito feliz, nos envolve na construção das tramas: "somos todos iguais...". Na segunda parte, "Noites", há um pouco do elemento fantástico, algo do realismo mágico, porém sobressai temas que muitas vezes, são ou foram agregados ao mito da "noite", como, por exemplo, a solidão, o mistério, entre outros. Tal título, da segunda parte, não agrega uma experiência singular, antes diversifica. A singularidade ocorre no termo "nesta", no título do livro, momento único em que autor e leitores agregam-se sob o manto indefinido da memória e do noturno. O melhor conto do livro que traduz todas essas possibilidades aqui destacadas, em minha opinião, é "Rosa noturna". Também gostaria de pontuar o conto "Desfile", não somente pelo tema do carnaval (e sobre carnaval e literatura temos pouco), mas principalmente pela construção dos diálogos, que permitiu uma fusão entre forma e conteúdo bem elaborada. Quem acompanha o trabalho de Marcelo Moutinho percebe o crescimento e o amadurecimento literário em Somos todos iguais nesta noite.

20 de nov. de 2006

O coronel e o lobisomem: o livro, não o filme

Esqueçam o filme, estrelado por Diogo Vilela, Ana Paula Arósio, entre outros. O livro, escrito por José Cândido Carvalho em 1964, é um clássico e é muito bom. Narrado no início do século XX pelo seu principial personagem, Ponciano de Azeredo Furtado, apresenta a decadência do coronelismo em detrimento das novas relações político-financeiras da burguesia insurgente, através da ótica do maravilhoso. O romance é narrado em primeira e terceira pessoa pelo próprio Ponciano. Não chega a ser absurdo se você lembrar das entrevistas que Edson Arantes do Nascimento dava falando sobre Pelé, aliás, o próprio. Há uma sucessão de "causos" que muitas vezes lembra Alexandre e outros heróis, de Graciliano Ramos, porém ao final concentra-se no processo de falência como reflexo da decadência do coronelismo, culminando na morte, ou melhor, nas "duas mortes" do coronel, a real e a fantástica. Perfila uma galeria de personagens prosaicos caracterizando uma dualidade campo/cidade, mítico/real, caracterizado pelo modo narrativo EU/Ponciano, ELE/Coronel Ponciano. Todavia a beleza e o encantamento do texto está na linguagem do romance, muito mais uma que uma paródia do discurso de Guimarães Rosa, alguém poderia dizer, trata-se mais de um refinamento da linguagem pancrônica do autor de Grande sertão: veredas. Há o uso literário da linguagem do interior, concentrando-se em processo de formação sufixal, sobretudo de adjetivos (tristoso etc.) e advérbios, mantendo um ritmo poético e dinâmico para o texto. O entrelaçamento das duas pontas (real/mítico) a partir do jogo de linguagem, aliado à construção do personagem Coronel Ponciano é o grande trunfo de José Cândido.
O filme recria uma parte pequena do romance, estabelecendo uma nova trama, nem de longe poderíamos dizer que se trata de um resumo, uma adaptação. Achei o filme bom... Mas o livro é bem melhor.

31 de out. de 2006

Um pouco mais do mesmo

Dúvidas, dúvidas... Livros, livros... Filmes, filmes... Trabalho, trabalho... Não tem jeito (por enquanto)! Está tudo um pouco mais do mesmo.

23 de set. de 2006

políticos nacionais no jogo de cartas

A imaginação é maravilhosa!! Quem diria ser possível encontrar Enéas, ACM e tantos outros politicos num jogo de cartas? Pois é. Está criado o super trunfo da política nacional, "Golpe". São 32 cartas com alguns itens curiosos como "astúcia", por exemplo. De graça, através da licença Creative Commons. Quem quiser saber mais, ou simplesmente imprimir, eis o endereço: http://www.stoneagescanners.com/golpe/

19 de set. de 2006

12 de set. de 2006

Onde você esteve no 11 de setembro?

11 de setembro. De manhã, ou quase meio-dia, não lembro ao certo. Estava no morro do Cantagalo,em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, supervisionando uma sala de supletivo do primeiro grau quando soubemos, eu e o professor, sobre o ocorrido. Vimos as imagens, espantados. Naquele momento não sabíamos que a ressonância seria enorme, como está sendo até hoje. Também lembro de uma artigo escrito pelo poeta Chacal, para o Jornal do Brasil, em que supostamente louvava o intento de Bin Laden. Nossa! foi duramente criticado pelo Gerald Thomas. Há tempos não lia um artigo tão pesado, desnudando, achincalhando uma pessoa. Não houve nem resposta. E por muito tempo não ouvi Chacal se pronunciar. De lá pra cá, aumentou o descrédito com a política internacional, Bush tornou-se definitivamente um atabalhoado deus da guerra, o mundo mais violento, sem dúvida.

9 de set. de 2006

Ah! se a moda pega...

Uwe Boll, diretor alemão conhecido por suas péssimas adaptações de videogames para o cinema Alone in the Dark, Blood rayne etc.) , cansou-se das críticas negativas convidando seus detratores para um luta de boxe. "É porrada!", como diria o velho Massaranduba... Quatro críticos de cinema se apresentaram, e o primeiro, espanhol, apanhou feio no ringue. Teve até torcida para o crítico, mas parece que não adiantou. Dizem que depois Boll deve colocar as lutas nos extras do seu próximo filme. Marketing é tudo!
O endereço está no youtube (Uwe Boll vs Oso):

http://www.youtube.com/watch?v=GjM2w5FOPQw

3 de set. de 2006

As artimanhas de "Re[corte] cultural"

Para quem não conhece, o programa de televisão da Tv aberta TVE, Re[corte] cultural, apresentado por Michel Melamed, é uma das boas surpresas no deserto da televisão aberta brasileira. O programa é um espetáculo de edição de imagens que lhe confere um ar pós-moderno, um olhar fragmentado fascinante. Há sempre duas ou três entrevistas em locais diferentes que não seguem linearmente, mas intercalam-se, criando uma nova leitura, algo lúdico que faz falta aos demais programas desse gênero. Existem referências claras, ao longo do programa, das possibilidades que a poesia concreta ofereceu, por exemplo, verdadeiras interferências na tela, na imagem. No quadro "debatedeira" (veja a brincadeira com o nome...), Melamed se preocupa em quebrar expectativas que se desenham para uma entrevista colocando o entrevistado à prova, em situações inesperadas, como pular da cadeira, tomar uma cachaça, dirigir alguma cena, na hora; isoladas, ditas de modo aleatório, pode parecer estranho, porém condiz com o ritmo das entrevistas, do espírito lúdico do programa. Isoladamente, tais detalhes que caracterizam o programa não são novos. Todavia é a mescla, e ,repito, a edição, artimanhas as quais podemos acrescer, talvez o grande trunfo (quem não se lembra do jogo "super trunfo"?) seja o fato de que Michel Melamed não é um apresentador per si; ele é um artista no comando das entrevistas, com a mesma verve de Abujamra no também ótimo "Provocações". Aliás, Melamed encarna um pouco o sonho de Abujamra, "dêem aos artistas um horário vago na televisão e você verá algo novo nascendo..."

Desaparecido

Há mais de um mês permaneci calado, navegando incógnito pela internet. É assim que imagino meu silêncio: tempo de descobrimentos e navegações à procura de novos portos, o encantamento de novas idéias. Um novo caminho para as Índias? Quis dobrar o meu Cabo das Tormentas, é o que venho fazendo nos últimos meses, confesso que ainda não o domei, ainda não o transformei em Cabo da Boa Esperança. Mas vou navegando, e devo chegar lá...

22 de jul. de 2006

Drummond e a Copa do mundo: quem diria!

Este é o poema da despedida (nossa) da Copa. Descobri meio ao acaso, relendo textos do poeta Carlos Drummond de Andrade. Encontra-se no livro Amar se aprende amando:
FOI-SE A COPA?
Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.
Faltou a inflação dos pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.
Agora encerro, de fato, a Copa do Mundo neste blog. :)

1 de jul. de 2006

Rumo à Copa 2010

Foi uma partida triste. Não houve em algum momento um brilho sequer da constelação brasileira. Nenhuma estrela para incendiar, todas apagadas. Esperei pela genialidade do Ronaldinho Gaúcho, mas parece que ela se restringe ao Barcelona. Tudo bem, sem desespero. Ainda somos Penta. Vou guardar minha corneta, minha buzina, torcer para Portugal (viva a língua portuguesa!). África do Sul, aqui vamos nós.

29 de jun. de 2006

Próximas Copas


Eis o meu sobrinho Thiago. Como o seu pai (meu irmão) me disse: " Quando Thiago estiver maior, vai jogar no Real Madrid!" Jogar no Flamengo?Só se fosse por amor à camisa... Jogar na seleção? Ao menos com a camisa (ainda que não seja a oficial) ele é fotogênico. Próximas Copas estaremos torcendo juntos! Posted by Picasa

Futebol e literatura

Em época de futebol entre as nações, não pude resistir e comprei Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano, LPM. Histórias lindas e poéticas sobre o futebol, ainda que surja em sua superfície um saudosismo e certo ranço para com o futebol atual por parte do autor, aliás, grande contador de histórias e "causos" da América Latina. Porém lá está a bola, espelho da felicidade entre os homens de boa vontade, girando por entre as Copas do Mundo, desde seu início, contando seu amor pelos dribles fantásticos dos verdadeiros imortais do futebol. A edição é atualizada com as Copas de 98 e 2002 (o livro saiu por aqui em 19995). Difícil terminar o livro e não procurar um terreno baldio para bater uma bolinha...

13 de jun. de 2006

Brasil na Copa do Mundo: lembranças de 94?

Huaaaa!! Que sono! Quase dormi no segundo tempo... Eu que me preocupei, até os dez minutos antes de iniciar o jogo, em comprar uma corneta! Eu não sei, de repente comecei a ver uma sombra de 1994, na maneira de jogar, no espírito. Vi alguns momentos de brilho do Ronaldinho Gaúcho e uma seleção séria, sem alegria. Não jogou mal. Jogou sem humor, estava mal-humorada. Quando Ronaldo saiu, ainda o acusaram de estar gordo. Nem ele nem Adriano foram aproveitados. Só houve defesa e meio-campo, sem muita ligação com o ataque. Mas prefiro ficar na desculpa de que foi o primeiro jogo. E na esperança de que podemos vencer com mais graça e ginga, esquecendo a sobriedade do time de 94.

5 de jun. de 2006

Nomínimo mudanças

Está de parabéns o site Nomínimo. Quatro anos estabelecendo parâmetros (minha opinião) no jornalismo via internet. Houve mudanças, claro, ao meu ver, bem interessantes, setorizando temas, arregimentando novos colunistas. Particularmente, destaco "Todoprosa", com Sérgio Rodrigues à frente, destacando principais notícias sobre literatura; "Papo de homem", com temas masculinos, quase uma revista para homens, por Pedro Dória; "Olha só", que trata sobre cinema, por Ricardo Kalil. Fica provado ser mais do que possível fazer um jornalismo de qualidade pela internet. Não é mais o futuro. É o presente.

24 de abr. de 2006

Enrolado na escola

Um mês. E desta vez não tirei férias. Estive apenas enrolado com os trabalhos na escola. Montando provas, material para trabalho em sala de aula e alguns absurdos... Depois de anos, as escolas (públicas do Ensino Médio) estão recebendo livros didáticos de matemática e português para os alunos. Onde trabalho, não recebemos os livros do professor. Poderia ser uma piada perversa como em um episódio dos Simpsons em que os alunos se revoltam na escola e escondem todos os livros dos professores. Acuados numa sala, os professores fumam exagerademente e, nervosos, se questionam: " Meu Deus! O que faremos agora?" Não é bem assim que funciona, nem sempre o livro ajuda, mas o que ocorre é o descaso com a distribuidora dos livros, chegaram ao absurdo em questionar sobre porquê não pagarmos pelos livros. Pagar para trabalhar... Os livros estão nas mãos dos alunos e não podemos utilizar. Eu principalmente me recuso! Mais um imbróglio na Educação.