21 de jan. de 2006

O descanso dos anjos



Ainda vale a pena investir no ser humano, vocês não acham?
P.S.: o meu sobrinho Thiago.
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20 de jan. de 2006

Inaugurando fotos no Argonauta

Finalmente aprendi postar fotos e imagens no blog (rss). Resolvi então inaugurar com o meu sobrinho Thiago, símbolo de renovação na minha família, paz e muita alegria. Posted by Picasa

16 de jan. de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto (parte II)

Continuando o texto do post anterior:
3-Apresentando gêneros textuais diversos (texto de propaganda, crônicas, reportagem etc.) para análise estrutural (conhecer os aspectos mínimos que diferenciam um texto de um outro tipo de texto); reformulação (após conhecer o " como dizer" ,alterar o conteúdo). O processo final seria reproduzir o gênero textual e, mediante acordo com a turma, escolher uma produção textual feita por um aluno para análise coletiva. Vale ressaltar que noções de intertextualidade são trabalhadas para que o aluno saiba analisar criticamente as possibilidades de leitura e conjugação de sentidos que um texto possa proporcionar. Tal proposta também é válida para o trabalho com a oralidade, mediante gravação de vídeos ou somente áudio das apresentações de alunos em uma leitura de poemas, debate para análise e reflexão, a partir de um tema polêmico etc.
4- Da mesma forma que no item 3, porém acentuando aspectos ideológicos e intertextuais, bem como o modo em que os argumentos estão dispostos no arcabouço do texto, na conjugação de sentidos. Importante destacar as possibilidades de intertextualidade, sobretudo na utilização de mídias diversos, ampliando o leque de usos da língua e do texto.
5- Acredito que o maior desafio seja o de apresentar as várias estratégias para o uso da leitura, de modo que haja também complementação no ambiente familiar, a partir de encontros com os pais para discussão de possíveis entraves e soluções. Tornar perceptível ao aluno que há níveis de leitura, conforme a demanda em que seja necessária a mesma: leitura para revisão textual, retomada de tópicos, resumitiva, a que busca o prazer estético da língua... Havendo destaque também para o suporte em que está condicionada a leitura, possibilitando diferentes formas para o ato de ler.

14 de jan. de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto

Fiz recentemente uma prova para o Colégio Pedro II, contrato de um ano. Análise de currículo (eliminatório) prova escrita (cinco questões) e entrevista (essas duas, classificatórias). Ainda não saiu o resultado, contudo, transcrevo aqui as respostas sobre algumas perguntas referentes a leitura, literatura, gramática e produção de texto em sala de aula, por acreditar ser este o pensamento mediano de um professor de português, atualizado, do ensino básico (ensino fundamental e médio). Não lembro das perguntas, não anotei, porém ao ler as respostas, o leitor compreenderá a que se refere o tópico.
1- A realidade virtual vem demonstrando a cada dia a mescla entre as diversas mídias, conteúdos e formas. O olhar sobre a sociedade é múltiplo, fragmentado, as ferramentas para análise devem posibilitar tal dinamicidade. Não é mais possível trabalhar períodos literários de maneira estanque, isolados de toda produção cultural da sociedade, em sua determinada época. É importante conjugá-los ao processo cultural que a sociedade construiu, em seus vários momentos, estabelecendo aspectos referenciais a partir de uma rede intertextual, plena em sua conjugação de sentidos. Desse modo, portanto, estudar um período literário não pode estar isento de um olhar múltiplo sobre toda produção cultural.
2- Valorizar o que o aluno traz em sala de aula, ensinando aquilo que lhe faz falta. Importante possibilitar situações em que o aluno tenha que utilizar determinados recursos lingüísticos para análise e reflexão da língua, para que possa reconhecer-se, num processo de construção coletiva entre alunos e professor, como sujeito autônomo da língua. Há que se elaborar conceitos gramaticais, num primeiro momento, mediante necessidades que o texto apresenta para análise, para, num segundo momento, apresentar nomenclaturas.
Próximo post transcrevo as outras três respostas.

12 de jan. de 2006

Férias de mim mesmo

Um mês e um dia. Sem querer, tirei férias de mim mesmo neste blog. O que fiz neste período? Terminei de ler Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar, assisti muitos DVD´s e apanhei bastante dos diários de classe da escola. Não fui ao teatro; porém, para este ano de 2006, pretendo ir ao menos uma vez por mês. Assim espero que seja com o cinema também. E com as exposições e ida aos museus também. Enfim, retomar uma época boa de minha vida, tempos idos em que não perdia bons filmes, boas peças, produzia ( escrevia uns tantos versos e me arriscava na pintura). Vamos ver o que 2006 tem para oferecer ( e se conseguirei cumprir, ao menos em parte, essas promessas).

11 de dez. de 2005

A sedução do discurso científico

Está saindo nas bancas o DVD da série "Cosmos", de Carl Sagan pela revista Superinteressante. Pretendo comprar e colecionar. O site Nomínimo noticiou o fato, mas se refere ao mesmo como indicado para crianças de 7 a12 anos (rsss). Passei desssa idade faz anos, porém ainda é um assunto que atrai minha curiosidade. Lembro de uma fase em que lia bastante literatura científica, voltada em boa parte para o público leigo. Dentre outros, li Breve história do tempo, de Hawking, e O bico do tentilhão, de Jonathan Weiner. Este foi para mim uma leitura maravilhosa. Trata-se do acompanhamento da vida dos tentilhões, numa das ilhas Galápagos, e suas recorrentes adaptações ao meio, expressão maior da teoria da evolução das espécies, de Darwin. Quanto ao outro, foi uma leitura decepcionante. Saí com mais perguntas e respostas frouxas, quase incompreensíveis. Porém há uma nova versão, ele reescreveu junto com um jornalista da área científica, preocupando-se, enfim, com os leigos. O discurso científico é sedutor. O discurso filosófico também, mas fiquemos, por agora, com o primeiro. Onde está a sedução? Para mim, está na organicidade de um sistema descrito no encantamento da lógica, sobretudo quando comparamos com a irracionalidade do mundo. Também acho que está na aventura da descoberta, no desafio mental, no jogo de linguagem. A ciência ainda (?) não é a resposta para o desafio do mundo, da vida. Mas não está desprovido do espectro do maravilhoso.

1 de dez. de 2005

jornalismo impresso X blog?

Eu nunca acreditei nisso. Evidente que existe uma crise na mídia impressa com o advento da internet, desde então. Mas, ainda assim, não acredito na "morte do jornalismo impresso". Imagino que uma solução seriam matérias mais aprofundadas, investigativas, porque em termos de velocidade, não há como comparar com a internet, e talvez por isso, acredito nos erros que esta velocidade de informação pode acarretar. Aliás, Baudrillard (se não me engano) já dizia que cada nova tecnologia cria um novo tipo de acidente. Também não acho que o blog será a grande fonte jornalística para o leitor. Deverá haver uma relação de interdependência: o blog como uma grande arena para discussão, espaço em que jornalistas e leitores vão poder questionar, opinar sobre a informação trazida pela informação impressa. Podem dizer o que for sobre a internet, o CD, o DVD, porém o fato mais relevante é que o papel, ou melhor, a impressão no papel persiste por pelo menos 500 anos, sem data para terminar.

17 de nov. de 2005

Lançamento de livro infantil

Márcio Leitão, poeta e escritor, velho conhecido de poesia, vai estar lançando o livro infantil Álvaro, o urubu, da editora Zeus, no 7o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no jardim do Museu de Arte moderna - MAM, no dia 20 de novembro, às 11 horas da manhã. O endereço é: Av. Dom Infante Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ. Se eu não me engano, este é o segundo livro infantil que ele está publicando...

7 de nov. de 2005

Lançamento de livro

Lançamento do livro Contos sobre tela, organizado por Marcelo Moutinho para a Editora Pinakotheke, vai acontecer no próximo dia 8 de novembro, a partir das 20h, na galeria da própria Pinakotheke (um sobrado de época lindo, lindo, na Rua São Clemente, Rio de Janeiro). A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.

Lançamento de livro

Leituras na web

Tenho lido alguns blogs muito bons na internet. Textos ágeis, de boa leitura, temas interessantes. Resolvi partilhar minha leitura, então.
Sobre o Rio de Janeiro e eventos culturais, vejo sempre o blog do Marcelo Moutinho, escritor e jornalista: http://pentimento.zip.net/
Sobre Relações Internacionais, cotidiano, o blog de Mauricio Santoro e JD: http://www.osconspiradores.blogspot.com/
Sobre humor, o blog do meu amigo Henrique Rodrigues, escritor e poeta: http://www.fullbag.blogger.com.br/
Sobre tecnologia, o blog de Tiago Dória, muito interessante: http://tiagodoria.blig.ig.com.br/
Sobre política, os blogs dos jornalistas Josias de Souza e Ricardo Noblat http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ http://noblat1.estadao.com.br/noblat/
Por último, o blog do jornalista Jorge Pontual, repórter da Globo, que utiliza o blog para comentar sobre cultura, gastronomia, política, música (clássica, principalmente). Detalhe: quem gosta de Charles Baudelaire vai adorar o site. http://nyontime.blogspot.com/ Estes blogs são, para mim, leituras quase diárias.

20 de out. de 2005

Corpo discente

Para quem não sabe, trata-se de alunos, do conjunto de alunos. Tenho sido apontado por meus alunos do Segundo Grau no CIEP em Itaboraí, interior do Rio de Janeiro, como um dos mais perversos professores. Comentam que as minhas provas de português são difíceis e, o pior, têm dez questões! Eles não estão acostumados com uma prova tão extensa. Na verdade, não estão acostumados com a palavra escrita. Muito complicado... Praticamente não lêem nada, nem jornal de esportes, arrisco-me a dizer que o pouco contato com a escrita está condensada ao colégio. O CIEP não oferece cópias de textos para os alunos, os mesmos quase sempre reclamam quando precisam pagar para tirar cópia. Não é possível utilizar a biblioteca, da forma que gostaria. Há bons livros, mas em geral poucos têm oito ou nove de uma mesma edição. Freqüento bastante a biblioteca, já me disseram que aquela é uma das poucas da região, e, atualmente, quase não recebe novas remessas. Como suponho que o CIEP, desculpe, agora se chama " Brizolão", tenha cerca de 700 alunos, vi, até hoje, somente três alunas que realmente são leitoras. Não vejo mudança a curto prazo. Porém acredito que é preciso planejar atividades e possibilidades para que as futuras mães dessa geração possam relevar a importância da leitura na educação dos filhos. Não sei como poderia ser feito. Tenho andado pessimista por estes dias...

4 de out. de 2005

PROALFA: anos de experiência

Ontem, dia 3 de outubro, foi aniversário do PROALFA, Programa de Alfabetização da UERJ. Participei da história desse programa. Dentre as comemorações, Houve o lançamento de um livro com os textos dos alunos da Terceira Idade que participam das classes de alfabetização. Na época, tomei contato com a alfabetização, li bons livros sobre o tema, e trilhei uma parte de minha vida nesse trabalho com alfabetização de jovens e adultos, comunidades carentes... Rapidamente descobri que são pouquíssimos programas sociais sérios, em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Foi emocionante ver os alunos, alguns de minha época de trabalho, receberem os exemplares do livro, uma coletânea. Realmente somos uma sociedade que valoriza por demais a cultura escrita. Assistir aos alunos, emocionados, falarem sobre a vitória que alcançaram ao publicarem no livro, sobre o valor que davam agora à escrita, foi maravilhoso. Rever algumas pessoas de uma época feliz de minha vida também. Parabéns ao PROALFA e à Profa. Anna Helena Moussatchè, diretora, pessoa querida por muitos. Tive sorte em conhecê-la e trabalhar ao seu lado.

26 de set. de 2005

A nova realidade dos CIEPS: parte I

Quem vive no Rio de Janeiro sabe que o CIEP foi uma criação de Leonel Brizola, em seu primeiro mandato, se não me engano lá pelos idos de 82, visando o horário integral com assistência médica, esporte e educação. Ao longo da rodovia Rio-Manilha, por exemplo, é possível ver pelo menos uns seis ou sete. Há CIEP pra todos os lados do Estado. Os professores precisam agradecer ao ex-Governador em suas orações. Graças a ele haverá trabalho por um longo tempo, pois não há como preencher todas as vagas através de concurso público. Sempre teremos contrato e dobra de horários para os concursados. Talvez seja por isso que a Governadora Rosinha decidiu mudar o nome, já publicado no Diário Oficial, para "Brizolão". Isso mesmo. Hoje o CIEP é reconhecido pelo Estado como Brizolão. Faz sentido... Não existe mais horário integral, falta cópia para os professores, todas as escolas têm problemas graves de acústica (como as paredes são baixas, os professores, ao discursarem em sala de aula, têm cerca de 50% da voz emitida dispersa, uma vez que não há barreira que possa impedir tamanha dispersão da voz. Resultado: o professor precisa sempre aumentar o tom da voz para que o aluno que está no final da sala possa escutá-lo). Problemas da construção? correto, porém pouco ou nada foi feito até hoje... (continua)

20 de set. de 2005

Jeanette Winterson: Inscrito no corpo

Foi para mim uma surpresa agradável ler Inscrito no corpo, da editora Rocco, acho que um dos primeiros livros publicados por aqui de Jeanette Winterson, autora inglesa. Fiquei curioso, após sua passagem meteórica na FLIP ( Feira Internacional Literária de Paraty) deste ano, no Rio de Janeiro. Ativista política, simplesmente convidou a todos para fazer um protesto contra a Petrobrás (na época a Petrobrás estava para fazer algumas operações próximas a Paraty que iriam, segundo a opinião dos ambientalistas, degradar o meio-ambiente). Baixinha, mas com um discurso de gigante, não somente participou mas, pelo que li, foi uma das apresentações mais interessantes do evento. Quando passei na Biblioteca Municipal do Engenho Novo, estava lá o livro de pouco mais de 170 páginas, convidando-me para a leitura. Trata-se de um romance muito interessante. Procura retratar sobre as nuances do amor no nível mesmo do corpo fisiológico, no que tem de original. Na verdade, em muitas passagens há o misto de ensaio com o discurso científico sobre a natureza do amor,flertando também com outros gêneros literários como o conto, a partir de um triângulo amoroso: uma mulher casada, seu amante e um marido frio e distante com uma voz narrativa bissexual, sob a ótica do amante. Achei engraçado que no texto de apresentação do romance, somos levados a crer que exista mais de uma voz narrativa que ora se apresenta masculina, ora , feminina. Nada disso. Uma voz somente que se apresenta bissexual, talvez reflexo (sem querer empobrecer o romance, longe disso) da natureza sexual da própria autora, assumidamente bissexual.
Quem quiser conhecer mais sobre a autora pode acessar a página pessoal: www.jeanettewinterson.com

16 de set. de 2005

Vendaval de informações e Lúcia Hipóllito

Quem lê o blog do jornalista Ricardo Noblat ( http://noblat.ultimosegundo.ig.com.br/noblat/) recebe a notícia fresquinha sobre a política nacional. Como estamos em crise, ler todos os detalhes, o disse-me-disse, acompanhar as CPIs, tem sido difícil. Mas é aí que entra a comentarista política Lúcia Hipóllito. Ela faz a análise brilhante, objetiva e sempre direto no olho do furacão. Ler a coluna dessa brilhante cientista política é um prazer. Foi a maneira que encontrei para escapar de vendaval de informações. Além de participar do blog, parece-me que ela também participa de uma mesa redonda no Programa do JÔ, na Rede globo, às quartas-feiras, junto com outras comentaristas, para discutir a crise.

12 de set. de 2005

Briga de vira-latas

Ficou claro que Severino Cavalcanti não vai deixar a presidência. Vai resistir ao máximo. A partir de sua entrevista sofrível (dei bastante risadas quando ele pedia para que os jornalistas publicassem boas notícias sobre a coletiva!!). Que coragem! Este homem era digno de uma personagem de Machado de Assis. Tamanha empáfia com as palavras, assimetricamente destoante com os atos que o conduziram para aquele desfecho, nos permite dizer que teremos uma bela briga de cachorros vira-latas na Câmara dos Deputados. Não quis ofender os cachorros, os vira-latas, mas é a imagem que surge em meus pensamentos. Talvez devesse apostar no bicho, melhor, no cachorro. Porém não sei se o pobre animal é parte na constelação da ilegalidade junto com tantos outros...

11 de set. de 2005

Formação do leitor: bibliografia

Trabalhei por quase dez anos com comunidades carentes. Trabalhei com idosos, adultos, jovens e crianças sempre enfatizando o papel da leitura e da língua portuguesa. Ao longo desses anos formei uma pequena lista de livros que me ajudaram, formaram o meu mundo. Num outro momento descreverei sobre minhas experiências com as comunidades e com o governo, seja na esfera municipal, estadual e federal. A pedido do meu amigo Henrique, elaborei uma lista para um curso, creio que para contadores de história, para formação de agentes de leitura.
ECO, Umberto. Seis passeios no bosque da ficção. São Paulo: Companhia das Letras. 1994.
CHARTIER, Anne Marie e HEBRARD, Jean. Discours sur la lecture (1880-1980). Paris: Centre Georges Pompidou, 1991.
CHARTIER, Roger & CAVALLO, Guglielmo (orgs.). História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, (liv.1), 1998.
FOUCAULT, M. A Ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
LAJOLO, Marisa. Do Mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
LAJOLO, Marisa, ZILBERMAN, Regina. A Formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1996.
OLSON, David. O Mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo: Ática, 1997.
OLSON, David R. e TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1995.
PROUST, Marcel. Sobre a Leitura. Campinas, 1990.

PENNAC, Daniel. Como um romance. Ed. Rocco

Ver os sites:

http://www.leiabrasil.org.br/publicacoes_livros.htm


http://www.unicamp.br/iel/memoria/

e autores como Fanny Abramovich e Ezequiel Theodoro da Silva

10 de set. de 2005

Os negociadores da mentira

Estamos conhecendo dois: Severino Cavalcanti e José Dirceu. O primeiro irá negar, negar e negar, três vezes, para que a mentira torne-se verdade, buscando, enfim, um sopro de vida e continuidade do mandato à frente da Câmara dos Deputados. O segundo, mais sinuoso, esgueirou-se através do silêncio para negociar pequenas falhas jurídicas, pontos de tensão, para, enfim, buscar um mínimo de redenção. Um verdadeiro paradoxo para quem um dia almejou a presidência ou talvez nem isso, mas estar ao lado do poder, ser uma espécie de voz da consciência, um arremedo do grilo falante. Ambos irão negociar as mentiras até o fim, como num jogo de pôquer, vão usar todas as cartas, todos os artíficios. Uma aula de política mesquinha e pequena.

9 de set. de 2005

Sombras da morte em "A queda! Os últimos dias de Hitler"

Fiquei impressionado com o filme. Bruno Ganz interpreta Hitler com um vigor e temor que nos choca. Porém chocante mesmo é o suicídio, a sombra da morte que percorre por todo o filme, e o ato patético em si, pelos olhos de quem idolatrava Hitler, arruinado, Eva Braun alucinada, ambos negando veemente a realidade que os permeia: a guerra acabou, tudo foi destruído, todos os sonhos de grandeza. Seus generais completamente aturdidos, entregues aos delírios do álcool e aos impropérios do Füher. O suicídio, como ato final dessa loucura que foi a 2ª Guerra Mundial, surge carregado de alívio, enfado, temor e com um peso niilista que esmaga e sufoca quem assiste ao filme. A negação da esperança com o assassinato dos filhos de Goebbels, perpetrada pela esposa, num ato de louvor ao Nazismo foi, para mim, terrível. Assim como o garoto, jovem soldado que recebe uma medalha do Füher por ato de bravura, que percebe, ao ver os amigos mortos, seus companheiros de infância e de luta, despe-se do manto da guerra e retorna ao lar com uma espécie de filho pródigo. E por tratar-se de uma loucura, tem os pais mortos pelos próprios soldados alemães, caminhando para um mundo sem sentido. Sente-se no corpo decadente de Hitler o ódio não mais por judeus, mas por toda a humanidade como a derrocada final. O filme segue a trama aos olhos da jovem secretária de Hitler. Aliás, inicia-se o filme com o depoimento da secretária nos dias atuais e encerra-se com um mea culpa honesto e sensível, de quem, deslumbrada com o mundo e a curiosidade juvenil de estar no centro da história, ao trabalhar com o ditador, não se apercebeu da violência e do banho de sangue, inadmissível em sua própria opinião, que manchou para sempre a Alemanha.