27 de nov de 2006

Memórias e noites: o livro de contos de Marcelo Moutinho

O livro de contos, Somos todos iguais nesta noite, de Marcelo Moutinho, se destaca pela delicadeza extraída a partir de situações aparentemente banais, sobretudo na primeira parte, "Iguais". Neste conjunto, é possível perceber elementos de uma memória social que pontuam cada um dos contos, lembrando, em muitos momentos, trabalhos acadêmicos como Memória e sociedade, de Ecléa Bosi. Convém destacar que o livro de contos não somente resgata, mas partilha com o leitor; o título (tirado de uma canção, creio eu), muito feliz, nos envolve na construção das tramas: "somos todos iguais...". Na segunda parte, "Noites", há um pouco do elemento fantástico, algo do realismo mágico, porém sobressai temas que muitas vezes, são ou foram agregados ao mito da "noite", como, por exemplo, a solidão, o mistério, entre outros. Tal título, da segunda parte, não agrega uma experiência singular, antes diversifica. A singularidade ocorre no termo "nesta", no título do livro, momento único em que autor e leitores agregam-se sob o manto indefinido da memória e do noturno. O melhor conto do livro que traduz todas essas possibilidades aqui destacadas, em minha opinião, é "Rosa noturna". Também gostaria de pontuar o conto "Desfile", não somente pelo tema do carnaval (e sobre carnaval e literatura temos pouco), mas principalmente pela construção dos diálogos, que permitiu uma fusão entre forma e conteúdo bem elaborada. Quem acompanha o trabalho de Marcelo Moutinho percebe o crescimento e o amadurecimento literário em Somos todos iguais nesta noite.

20 de nov de 2006

O coronel e o lobisomem: o livro, não o filme

Esqueçam o filme, estrelado por Diogo Vilela, Ana Paula Arósio, entre outros. O livro, escrito por José Cândido Carvalho em 1964, é um clássico e é muito bom. Narrado no início do século XX pelo seu principial personagem, Ponciano de Azeredo Furtado, apresenta a decadência do coronelismo em detrimento das novas relações político-financeiras da burguesia insurgente, através da ótica do maravilhoso. O romance é narrado em primeira e terceira pessoa pelo próprio Ponciano. Não chega a ser absurdo se você lembrar das entrevistas que Edson Arantes do Nascimento dava falando sobre Pelé, aliás, o próprio. Há uma sucessão de "causos" que muitas vezes lembra Alexandre e outros heróis, de Graciliano Ramos, porém ao final concentra-se no processo de falência como reflexo da decadência do coronelismo, culminando na morte, ou melhor, nas "duas mortes" do coronel, a real e a fantástica. Perfila uma galeria de personagens prosaicos caracterizando uma dualidade campo/cidade, mítico/real, caracterizado pelo modo narrativo EU/Ponciano, ELE/Coronel Ponciano. Todavia a beleza e o encantamento do texto está na linguagem do romance, muito mais uma que uma paródia do discurso de Guimarães Rosa, alguém poderia dizer, trata-se mais de um refinamento da linguagem pancrônica do autor de Grande sertão: veredas. Há o uso literário da linguagem do interior, concentrando-se em processo de formação sufixal, sobretudo de adjetivos (tristoso etc.) e advérbios, mantendo um ritmo poético e dinâmico para o texto. O entrelaçamento das duas pontas (real/mítico) a partir do jogo de linguagem, aliado à construção do personagem Coronel Ponciano é o grande trunfo de José Cândido.
O filme recria uma parte pequena do romance, estabelecendo uma nova trama, nem de longe poderíamos dizer que se trata de um resumo, uma adaptação. Achei o filme bom... Mas o livro é bem melhor.

31 de out de 2006

Um pouco mais do mesmo

Dúvidas, dúvidas... Livros, livros... Filmes, filmes... Trabalho, trabalho... Não tem jeito (por enquanto)! Está tudo um pouco mais do mesmo.

23 de set de 2006

políticos nacionais no jogo de cartas

A imaginação é maravilhosa!! Quem diria ser possível encontrar Enéas, ACM e tantos outros politicos num jogo de cartas? Pois é. Está criado o super trunfo da política nacional, "Golpe". São 32 cartas com alguns itens curiosos como "astúcia", por exemplo. De graça, através da licença Creative Commons. Quem quiser saber mais, ou simplesmente imprimir, eis o endereço: http://www.stoneagescanners.com/golpe/

12 de set de 2006

Onde você esteve no 11 de setembro?

11 de setembro. De manhã, ou quase meio-dia, não lembro ao certo. Estava no morro do Cantagalo,em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, supervisionando uma sala de supletivo do primeiro grau quando soubemos, eu e o professor, sobre o ocorrido. Vimos as imagens, espantados. Naquele momento não sabíamos que a ressonância seria enorme, como está sendo até hoje. Também lembro de uma artigo escrito pelo poeta Chacal, para o Jornal do Brasil, em que supostamente louvava o intento de Bin Laden. Nossa! foi duramente criticado pelo Gerald Thomas. Há tempos não lia um artigo tão pesado, desnudando, achincalhando uma pessoa. Não houve nem resposta. E por muito tempo não ouvi Chacal se pronunciar. De lá pra cá, aumentou o descrédito com a política internacional, Bush tornou-se definitivamente um atabalhoado deus da guerra, o mundo mais violento, sem dúvida.

9 de set de 2006

Ah! se a moda pega...

Uwe Boll, diretor alemão conhecido por suas péssimas adaptações de videogames para o cinema Alone in the Dark, Blood rayne etc.) , cansou-se das críticas negativas convidando seus detratores para um luta de boxe. "É porrada!", como diria o velho Massaranduba... Quatro críticos de cinema se apresentaram, e o primeiro, espanhol, apanhou feio no ringue. Teve até torcida para o crítico, mas parece que não adiantou. Dizem que depois Boll deve colocar as lutas nos extras do seu próximo filme. Marketing é tudo!
O endereço está no youtube (Uwe Boll vs Oso):

http://www.youtube.com/watch?v=GjM2w5FOPQw

3 de set de 2006

As artimanhas de "Re[corte] cultural"

Para quem não conhece, o programa de televisão da Tv aberta TVE, Re[corte] cultural, apresentado por Michel Melamed, é uma das boas surpresas no deserto da televisão aberta brasileira. O programa é um espetáculo de edição de imagens que lhe confere um ar pós-moderno, um olhar fragmentado fascinante. Há sempre duas ou três entrevistas em locais diferentes que não seguem linearmente, mas intercalam-se, criando uma nova leitura, algo lúdico que faz falta aos demais programas desse gênero. Existem referências claras, ao longo do programa, das possibilidades que a poesia concreta ofereceu, por exemplo, verdadeiras interferências na tela, na imagem. No quadro "debatedeira" (veja a brincadeira com o nome...), Melamed se preocupa em quebrar expectativas que se desenham para uma entrevista colocando o entrevistado à prova, em situações inesperadas, como pular da cadeira, tomar uma cachaça, dirigir alguma cena, na hora; isoladas, ditas de modo aleatório, pode parecer estranho, porém condiz com o ritmo das entrevistas, do espírito lúdico do programa. Isoladamente, tais detalhes que caracterizam o programa não são novos. Todavia é a mescla, e ,repito, a edição, artimanhas as quais podemos acrescer, talvez o grande trunfo (quem não se lembra do jogo "super trunfo"?) seja o fato de que Michel Melamed não é um apresentador per si; ele é um artista no comando das entrevistas, com a mesma verve de Abujamra no também ótimo "Provocações". Aliás, Melamed encarna um pouco o sonho de Abujamra, "dêem aos artistas um horário vago na televisão e você verá algo novo nascendo..."

Desaparecido

Há mais de um mês permaneci calado, navegando incógnito pela internet. É assim que imagino meu silêncio: tempo de descobrimentos e navegações à procura de novos portos, o encantamento de novas idéias. Um novo caminho para as Índias? Quis dobrar o meu Cabo das Tormentas, é o que venho fazendo nos últimos meses, confesso que ainda não o domei, ainda não o transformei em Cabo da Boa Esperança. Mas vou navegando, e devo chegar lá...

22 de jul de 2006

Drummond e a Copa do mundo: quem diria!

Este é o poema da despedida (nossa) da Copa. Descobri meio ao acaso, relendo textos do poeta Carlos Drummond de Andrade. Encontra-se no livro Amar se aprende amando:
FOI-SE A COPA?
Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.
Faltou a inflação dos pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.
Agora encerro, de fato, a Copa do Mundo neste blog. :)

1 de jul de 2006

Rumo à Copa 2010

Foi uma partida triste. Não houve em algum momento um brilho sequer da constelação brasileira. Nenhuma estrela para incendiar, todas apagadas. Esperei pela genialidade do Ronaldinho Gaúcho, mas parece que ela se restringe ao Barcelona. Tudo bem, sem desespero. Ainda somos Penta. Vou guardar minha corneta, minha buzina, torcer para Portugal (viva a língua portuguesa!). África do Sul, aqui vamos nós.

29 de jun de 2006

Próximas Copas


Eis o meu sobrinho Thiago. Como o seu pai (meu irmão) me disse: " Quando Thiago estiver maior, vai jogar no Real Madrid!" Jogar no Flamengo?Só se fosse por amor à camisa... Jogar na seleção? Ao menos com a camisa (ainda que não seja a oficial) ele é fotogênico. Próximas Copas estaremos torcendo juntos! Posted by Picasa

Futebol e literatura

Em época de futebol entre as nações, não pude resistir e comprei Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano, LPM. Histórias lindas e poéticas sobre o futebol, ainda que surja em sua superfície um saudosismo e certo ranço para com o futebol atual por parte do autor, aliás, grande contador de histórias e "causos" da América Latina. Porém lá está a bola, espelho da felicidade entre os homens de boa vontade, girando por entre as Copas do Mundo, desde seu início, contando seu amor pelos dribles fantásticos dos verdadeiros imortais do futebol. A edição é atualizada com as Copas de 98 e 2002 (o livro saiu por aqui em 19995). Difícil terminar o livro e não procurar um terreno baldio para bater uma bolinha...

13 de jun de 2006

Brasil na Copa do Mundo: lembranças de 94?

Huaaaa!! Que sono! Quase dormi no segundo tempo... Eu que me preocupei, até os dez minutos antes de iniciar o jogo, em comprar uma corneta! Eu não sei, de repente comecei a ver uma sombra de 1994, na maneira de jogar, no espírito. Vi alguns momentos de brilho do Ronaldinho Gaúcho e uma seleção séria, sem alegria. Não jogou mal. Jogou sem humor, estava mal-humorada. Quando Ronaldo saiu, ainda o acusaram de estar gordo. Nem ele nem Adriano foram aproveitados. Só houve defesa e meio-campo, sem muita ligação com o ataque. Mas prefiro ficar na desculpa de que foi o primeiro jogo. E na esperança de que podemos vencer com mais graça e ginga, esquecendo a sobriedade do time de 94.

5 de jun de 2006

Nomínimo mudanças

Está de parabéns o site Nomínimo. Quatro anos estabelecendo parâmetros (minha opinião) no jornalismo via internet. Houve mudanças, claro, ao meu ver, bem interessantes, setorizando temas, arregimentando novos colunistas. Particularmente, destaco "Todoprosa", com Sérgio Rodrigues à frente, destacando principais notícias sobre literatura; "Papo de homem", com temas masculinos, quase uma revista para homens, por Pedro Dória; "Olha só", que trata sobre cinema, por Ricardo Kalil. Fica provado ser mais do que possível fazer um jornalismo de qualidade pela internet. Não é mais o futuro. É o presente.

24 de abr de 2006

Enrolado na escola

Um mês. E desta vez não tirei férias. Estive apenas enrolado com os trabalhos na escola. Montando provas, material para trabalho em sala de aula e alguns absurdos... Depois de anos, as escolas (públicas do Ensino Médio) estão recebendo livros didáticos de matemática e português para os alunos. Onde trabalho, não recebemos os livros do professor. Poderia ser uma piada perversa como em um episódio dos Simpsons em que os alunos se revoltam na escola e escondem todos os livros dos professores. Acuados numa sala, os professores fumam exagerademente e, nervosos, se questionam: " Meu Deus! O que faremos agora?" Não é bem assim que funciona, nem sempre o livro ajuda, mas o que ocorre é o descaso com a distribuidora dos livros, chegaram ao absurdo em questionar sobre porquê não pagarmos pelos livros. Pagar para trabalhar... Os livros estão nas mãos dos alunos e não podemos utilizar. Eu principalmente me recuso! Mais um imbróglio na Educação.

24 de mar de 2006

Ferreira Gullar e o programa Gerações

Hoje o melhor canal de tv aberta é a TVE. Nos últimos anos, melhorou bastante. Há espaço para todas as áreas (cinema, literatura, dança, música, política) e os programas primam pela qualidade. Mas há um programa que fica notório, em vários momentos, um certo incômodo. É o programa "Gerações", do Sistema S (SESC, SENAI E SESI), veiculado na emissora, sábado, às 16:00h. Quem apresenta é o poeta Ferreira Gullar. Cada programa é sobre um assunto específico e, às vezes, se desdobra em dois. Eu não trabalho com televisão, sou apenas um espectador talvez um pouco mais curioso que a média. Quando não é um assunto que o poeta, e agora apresentador, não domina, o que é normal, ninguém tem obrigação de saber tudo, fico na espectativa de que não aconteça algum mal estar no momento da entrevista. Ferreira Gullar olha para aquelas fichas de pergunta, tentando decorar, não sei, e questiona o entrevistado. Neste momento, a câmera abre para os dois, entrevistado e entrevistador, e quanto o sujeito responde é possível ver o poeta olhando novamente para as fichas, tentando emendar imediatamente uma nova pergunta. A sensação que passa é a de que ele não ouve a resposta porque está preocupado em dizer a pergunta seguinte. Às vezes fica pior: interrompe o entrevistado para outra nova pergunta, enquanto arruma aquelas fichas a todo momento, como se estivesse perdendo a seqüência de perguntas, a conversa torna-se quase um ato mecânico quando deveria soar natural. E, para piorar, a edição corta o final das respostas de vários entrevistados, numa tentativa de ordenar, segmentar as perguntas do entrevistador. É tão notório que eu, um mero espectador, consigo perceber. Ferreira Gullar, para mim, é o maior poeta brasileiro vivo da língua portuguesa ( ele, Carlos Drummond, João Cabral e Manuel Bandeira são os Quatro Pilares da poesia nacional - minha opinião). Como apresentador, sairia muito melhor se o seu programa fosse apenas sobre estética e , mais especificamente, literatura. Tenho certeza de que se sairia melhor. Mas com as falhas (ele mexe e remexe, não tira o olho das fichas!, às vezes esquece até o entrevistado...) e a ajuda da péssima edição, fica um certo constrangimento na tela; do lado de fora da tela, a torcida do espectador solitário, eu, e, quem sabe, de uma multidão solitária que também assiste ao programa para que este grande poeta possa fazer uma carreira de sucesso na televisão. Te cuida, Jô Soares!!!

18 de mar de 2006

Elocubrações cariocas

Os militares do Exército acharam os fuzis roubados. Para boa parte da população, ficou um gostinho de quero mais!, fica!... Mas eu suspeito de que seja uma ilusão. Parodiando naquele poema de Ferreira Gullar, uma parte de mim gostaria que o exército permanecesse nas ruas, outra parte de mim, que essa não é a solução. O que prova que nós, moradores da "Cidade Maravilhosa", estamos perdidos nessa discussão. Não há uma política de segurança para o estado do Rio de Janeiro que perpetue e se adapte ao longo dos anos. Só o que houve foram tentativas isoladas, desacompanhadas de uma política social (neste governo que se arrasta por quase oito anos, política social foi sinônimo de popularismo assistencialista da pior espécie). Bastou apenas os militares saírem e tudo voltou a ser como antes... Mas aqui vai um pensamento hipotético, uma artimanha da lógica: se existe um mercado para o tráfico é porque existe fornecedor e comprador. Se uma dessas parte ficasse sufocada (de preferência o fornecimento) o preço ia explodir. Quanto tempo levaria para quebrar este mercado? Continuo não acreditando no exército na rua como a melhor solução, mas uma parte de mim...

1 de mar de 2006

O melhor do carnaval


Bom, meus amigos... o melhor do carnaval não foi a Mangueira e nem a Imperatriz Leopoldinense. Foi o meu sobrinho Thiago que passou lá em casa num desfile aberto, vestido de flamengo (já está no DNA dele) e por fotos com esta aí em cima. Nota dez no carnaval!!
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28 de fev de 2006

A cidade está tranqüila

Aos poucos as pessoas estão saindo das casas. O trânsito começa de novo aquele ritmo insuportável. Algumas lojas abertas na rua Dias da Cruz, no Méier. A cidade está tranqüila... vontade agora só uma: ir para um rodízio de pizza! (rsss)

27 de fev de 2006

O silêncio

Vivo sempre uma contradição. No carnaval, em meio ao barulho, busco o silêncio. Quando posso, vou me esconder numa fazenda, no meio do mato. Há uns três anos permaneço no Rio de Janeiro. Sinto-me às vezes no olho do furacão. Mas neste período tenho procurado passar o tempo vendo filmes e lendo bastante. Das minha leituras, O bibliófilo aprendiz, de Rubens Borba de Moraes, e Como e por que ler o romance brasileiro, de Marisa Lajolo, esta, conhecida dos tempos de congresso sobre leitura na Unicamp. Quanto aos filmes, busquei os documentários e um filme argentino, O mesmo amor, a mesma chuva. Enfim, falta pouco para acabar o carnaval...

13 de fev de 2006

Botafogo X América

Sou botafogo de ocasião, mas ontem (domingo) confesso que torci para o América. Não sei quanto tempo fora de uma decisão, houve certamente uma grande mudança naqueles jogadores com a chegada de Jorginho como técnico de futebol. Gente sumida como Válber, Robert e Maciel parece que ressuscitaram, o que é ótimo para o nosso combalido futebol carioca. Eu torci para o América, queria ver o Maracanã encharcado de vermelho, não o vermelho sangüíneo, com as suas hemácias e glóbulos, mas aquele que estampa a raça e a coragem de quem vai para uma batalha campal. Tarefa cumprida pelo Botafogo no segundo tempo, vencendo por 3 X 1. Venceu o time que o meu pai tinha muito carinho. Deve ter ficado contente com a vitória - desde 1997 que não ganhava o título da Taça Rio. Eu nunca fui de guardar nomes de jogadores. Ele muito menos, porém era divertido vê-lo mexendo com os outros sem nem mesmo saber que jogador era parte do time.

7 de fev de 2006

Uma verdade absurda


Saiu nos últimos dias algumas fotos de Suzane von Richthofen - para quem não lembra, ela matou os pais junto com o namorado e o irmão dele. Pobre menina rica, bonita e terrivelmente perigosa, agora passeia pela praia, em Santos, segundo dizem, feliz, embora esteja três ou quatro vezes acima do peso. Quem disse que a cadeia não engorda? Saiu nos comentários da coluna do Tutty Vazquez, no blog de Nomínimo, talvez o comentário que resume em uma só frase todo o absurdo que envolveu essa jovem e revoltou o Brasil, seja pelo cinismo, seja pelo sentimento de impunidade. Eis a frase:
"Matou os pais e foi à praia. Pode?"
P.S: foto: reprodução da TV Record

6 de fev de 2006

A charge e o Islã

Lembra muito a Idade Média. Mais uma prova de que o humor pode descontruir tudo, desmoronar o jeito sisudo desses fanáticos. Parece que o riso não foi feito para o Islã, aliás, nem para o cristianismo (basta lembra do célebre filme O nome da rosa, sobre a maldição que pairava sobre o livro A comédia, de Aristóteles). Devem sobrar poucas religiões que aceitam o humor...

21 de jan de 2006

O descanso dos anjos



Ainda vale a pena investir no ser humano, vocês não acham?
P.S.: o meu sobrinho Thiago.
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20 de jan de 2006

Inaugurando fotos no Argonauta

Finalmente aprendi postar fotos e imagens no blog (rss). Resolvi então inaugurar com o meu sobrinho Thiago, símbolo de renovação na minha família, paz e muita alegria. Posted by Picasa

16 de jan de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto (parte II)

Continuando o texto do post anterior:
3-Apresentando gêneros textuais diversos (texto de propaganda, crônicas, reportagem etc.) para análise estrutural (conhecer os aspectos mínimos que diferenciam um texto de um outro tipo de texto); reformulação (após conhecer o " como dizer" ,alterar o conteúdo). O processo final seria reproduzir o gênero textual e, mediante acordo com a turma, escolher uma produção textual feita por um aluno para análise coletiva. Vale ressaltar que noções de intertextualidade são trabalhadas para que o aluno saiba analisar criticamente as possibilidades de leitura e conjugação de sentidos que um texto possa proporcionar. Tal proposta também é válida para o trabalho com a oralidade, mediante gravação de vídeos ou somente áudio das apresentações de alunos em uma leitura de poemas, debate para análise e reflexão, a partir de um tema polêmico etc.
4- Da mesma forma que no item 3, porém acentuando aspectos ideológicos e intertextuais, bem como o modo em que os argumentos estão dispostos no arcabouço do texto, na conjugação de sentidos. Importante destacar as possibilidades de intertextualidade, sobretudo na utilização de mídias diversos, ampliando o leque de usos da língua e do texto.
5- Acredito que o maior desafio seja o de apresentar as várias estratégias para o uso da leitura, de modo que haja também complementação no ambiente familiar, a partir de encontros com os pais para discussão de possíveis entraves e soluções. Tornar perceptível ao aluno que há níveis de leitura, conforme a demanda em que seja necessária a mesma: leitura para revisão textual, retomada de tópicos, resumitiva, a que busca o prazer estético da língua... Havendo destaque também para o suporte em que está condicionada a leitura, possibilitando diferentes formas para o ato de ler.

14 de jan de 2006

Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto

Fiz recentemente uma prova para o Colégio Pedro II, contrato de um ano. Análise de currículo (eliminatório) prova escrita (cinco questões) e entrevista (essas duas, classificatórias). Ainda não saiu o resultado, contudo, transcrevo aqui as respostas sobre algumas perguntas referentes a leitura, literatura, gramática e produção de texto em sala de aula, por acreditar ser este o pensamento mediano de um professor de português, atualizado, do ensino básico (ensino fundamental e médio). Não lembro das perguntas, não anotei, porém ao ler as respostas, o leitor compreenderá a que se refere o tópico.
1- A realidade virtual vem demonstrando a cada dia a mescla entre as diversas mídias, conteúdos e formas. O olhar sobre a sociedade é múltiplo, fragmentado, as ferramentas para análise devem posibilitar tal dinamicidade. Não é mais possível trabalhar períodos literários de maneira estanque, isolados de toda produção cultural da sociedade, em sua determinada época. É importante conjugá-los ao processo cultural que a sociedade construiu, em seus vários momentos, estabelecendo aspectos referenciais a partir de uma rede intertextual, plena em sua conjugação de sentidos. Desse modo, portanto, estudar um período literário não pode estar isento de um olhar múltiplo sobre toda produção cultural.
2- Valorizar o que o aluno traz em sala de aula, ensinando aquilo que lhe faz falta. Importante possibilitar situações em que o aluno tenha que utilizar determinados recursos lingüísticos para análise e reflexão da língua, para que possa reconhecer-se, num processo de construção coletiva entre alunos e professor, como sujeito autônomo da língua. Há que se elaborar conceitos gramaticais, num primeiro momento, mediante necessidades que o texto apresenta para análise, para, num segundo momento, apresentar nomenclaturas.
Próximo post transcrevo as outras três respostas.

12 de jan de 2006

Férias de mim mesmo

Um mês e um dia. Sem querer, tirei férias de mim mesmo neste blog. O que fiz neste período? Terminei de ler Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar, assisti muitos DVD´s e apanhei bastante dos diários de classe da escola. Não fui ao teatro; porém, para este ano de 2006, pretendo ir ao menos uma vez por mês. Assim espero que seja com o cinema também. E com as exposições e ida aos museus também. Enfim, retomar uma época boa de minha vida, tempos idos em que não perdia bons filmes, boas peças, produzia ( escrevia uns tantos versos e me arriscava na pintura). Vamos ver o que 2006 tem para oferecer ( e se conseguirei cumprir, ao menos em parte, essas promessas).