Hoje o melhor canal de tv aberta é a TVE. Nos últimos anos, melhorou bastante. Há espaço para todas as áreas (cinema, literatura, dança, música, política) e os programas primam pela qualidade. Mas há um programa que fica notório, em vários momentos, um certo incômodo. É o programa "Gerações", do Sistema S (SESC, SENAI E SESI), veiculado na emissora, sábado, às 16:00h. Quem apresenta é o poeta Ferreira Gullar. Cada programa é sobre um assunto específico e, às vezes, se desdobra em dois. Eu não trabalho com televisão, sou apenas um espectador talvez um pouco mais curioso que a média. Quando não é um assunto que o poeta, e agora apresentador, não domina, o que é normal, ninguém tem obrigação de saber tudo, fico na espectativa de que não aconteça algum mal estar no momento da entrevista. Ferreira Gullar olha para aquelas fichas de pergunta, tentando decorar, não sei, e questiona o entrevistado. Neste momento, a câmera abre para os dois, entrevistado e entrevistador, e quanto o sujeito responde é possível ver o poeta olhando novamente para as fichas, tentando emendar imediatamente uma nova pergunta. A sensação que passa é a de que ele não ouve a resposta porque está preocupado em dizer a pergunta seguinte. Às vezes fica pior: interrompe o entrevistado para outra nova pergunta, enquanto arruma aquelas fichas a todo momento, como se estivesse perdendo a seqüência de perguntas, a conversa torna-se quase um ato mecânico quando deveria soar natural. E, para piorar, a edição corta o final das respostas de vários entrevistados, numa tentativa de ordenar, segmentar as perguntas do entrevistador. É tão notório que eu, um mero espectador, consigo perceber. Ferreira Gullar, para mim, é o maior poeta brasileiro vivo da língua portuguesa ( ele, Carlos Drummond, João Cabral e Manuel Bandeira são os Quatro Pilares da poesia nacional - minha opinião). Como apresentador, sairia muito melhor se o seu programa fosse apenas sobre estética e , mais especificamente, literatura. Tenho certeza de que se sairia melhor. Mas com as falhas (ele mexe e remexe, não tira o olho das fichas!, às vezes esquece até o entrevistado...) e a ajuda da péssima edição, fica um certo constrangimento na tela; do lado de fora da tela, a torcida do espectador solitário, eu, e, quem sabe, de uma multidão solitária que também assiste ao programa para que este grande poeta possa fazer uma carreira de sucesso na televisão. Te cuida, Jô Soares!!!
Desbravando o vasto oceano das ideias. Profissão e vida: literatura, artes, leitura, programação de jogos digitais e modelagem 3D.
24 de mar. de 2006
18 de mar. de 2006
Elocubrações cariocas
Os militares do Exército acharam os fuzis roubados. Para boa parte da população, ficou um gostinho de quero mais!, fica!... Mas eu suspeito de que seja uma ilusão. Parodiando naquele poema de Ferreira Gullar, uma parte de mim gostaria que o exército permanecesse nas ruas, outra parte de mim, que essa não é a solução. O que prova que nós, moradores da "Cidade Maravilhosa", estamos perdidos nessa discussão. Não há uma política de segurança para o estado do Rio de Janeiro que perpetue e se adapte ao longo dos anos. Só o que houve foram tentativas isoladas, desacompanhadas de uma política social (neste governo que se arrasta por quase oito anos, política social foi sinônimo de popularismo assistencialista da pior espécie). Bastou apenas os militares saírem e tudo voltou a ser como antes... Mas aqui vai um pensamento hipotético, uma artimanha da lógica: se existe um mercado para o tráfico é porque existe fornecedor e comprador. Se uma dessas parte ficasse sufocada (de preferência o fornecimento) o preço ia explodir. Quanto tempo levaria para quebrar este mercado? Continuo não acreditando no exército na rua como a melhor solução, mas uma parte de mim...
1 de mar. de 2006
O melhor do carnaval
28 de fev. de 2006
A cidade está tranqüila
Aos poucos as pessoas estão saindo das casas. O trânsito começa de novo aquele ritmo insuportável. Algumas lojas abertas na rua Dias da Cruz, no Méier. A cidade está tranqüila... vontade agora só uma: ir para um rodízio de pizza! (rsss)
27 de fev. de 2006
O silêncio
Vivo sempre uma contradição. No carnaval, em meio ao barulho, busco o silêncio. Quando posso, vou me esconder numa fazenda, no meio do mato. Há uns três anos permaneço no Rio de Janeiro. Sinto-me às vezes no olho do furacão. Mas neste período tenho procurado passar o tempo vendo filmes e lendo bastante. Das minha leituras, O bibliófilo aprendiz, de Rubens Borba de Moraes, e Como e por que ler o romance brasileiro, de Marisa Lajolo, esta, conhecida dos tempos de congresso sobre leitura na Unicamp. Quanto aos filmes, busquei os documentários e um filme argentino, O mesmo amor, a mesma chuva. Enfim, falta pouco para acabar o carnaval...
13 de fev. de 2006
Botafogo X América
Sou botafogo de ocasião, mas ontem (domingo) confesso que torci para o América. Não sei quanto tempo fora de uma decisão, houve certamente uma grande mudança naqueles jogadores com a chegada de Jorginho como técnico de futebol. Gente sumida como Válber, Robert e Maciel parece que ressuscitaram, o que é ótimo para o nosso combalido futebol carioca. Eu torci para o América, queria ver o Maracanã encharcado de vermelho, não o vermelho sangüíneo, com as suas hemácias e glóbulos, mas aquele que estampa a raça e a coragem de quem vai para uma batalha campal. Tarefa cumprida pelo Botafogo no segundo tempo, vencendo por 3 X 1. Venceu o time que o meu pai tinha muito carinho. Deve ter ficado contente com a vitória - desde 1997 que não ganhava o título da Taça Rio. Eu nunca fui de guardar nomes de jogadores. Ele muito menos, porém era divertido vê-lo mexendo com os outros sem nem mesmo saber que jogador era parte do time.
7 de fev. de 2006
Uma verdade absurda

Saiu nos últimos dias algumas fotos de Suzane von Richthofen - para quem não lembra, ela matou os pais junto com o namorado e o irmão dele. Pobre menina rica, bonita e terrivelmente perigosa, agora passeia pela praia, em Santos, segundo dizem, feliz, embora esteja três ou quatro vezes acima do peso. Quem disse que a cadeia não engorda? Saiu nos comentários da coluna do Tutty Vazquez, no blog de Nomínimo, talvez o comentário que resume em uma só frase todo o absurdo que envolveu essa jovem e revoltou o Brasil, seja pelo cinismo, seja pelo sentimento de impunidade. Eis a frase:
"Matou os pais e foi à praia. Pode?"
P.S: foto: reprodução da TV Record
6 de fev. de 2006
A charge e o Islã
Lembra muito a Idade Média. Mais uma prova de que o humor pode descontruir tudo, desmoronar o jeito sisudo desses fanáticos. Parece que o riso não foi feito para o Islã, aliás, nem para o cristianismo (basta lembra do célebre filme O nome da rosa, sobre a maldição que pairava sobre o livro A comédia, de Aristóteles). Devem sobrar poucas religiões que aceitam o humor...
21 de jan. de 2006
20 de jan. de 2006
Inaugurando fotos no Argonauta
16 de jan. de 2006
Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto (parte II)
Continuando o texto do post anterior:
3-Apresentando gêneros textuais diversos (texto de propaganda, crônicas, reportagem etc.) para análise estrutural (conhecer os aspectos mínimos que diferenciam um texto de um outro tipo de texto); reformulação (após conhecer o " como dizer" ,alterar o conteúdo). O processo final seria reproduzir o gênero textual e, mediante acordo com a turma, escolher uma produção textual feita por um aluno para análise coletiva. Vale ressaltar que noções de intertextualidade são trabalhadas para que o aluno saiba analisar criticamente as possibilidades de leitura e conjugação de sentidos que um texto possa proporcionar. Tal proposta também é válida para o trabalho com a oralidade, mediante gravação de vídeos ou somente áudio das apresentações de alunos em uma leitura de poemas, debate para análise e reflexão, a partir de um tema polêmico etc.
4- Da mesma forma que no item 3, porém acentuando aspectos ideológicos e intertextuais, bem como o modo em que os argumentos estão dispostos no arcabouço do texto, na conjugação de sentidos. Importante destacar as possibilidades de intertextualidade, sobretudo na utilização de mídias diversos, ampliando o leque de usos da língua e do texto.
5- Acredito que o maior desafio seja o de apresentar as várias estratégias para o uso da leitura, de modo que haja também complementação no ambiente familiar, a partir de encontros com os pais para discussão de possíveis entraves e soluções. Tornar perceptível ao aluno que há níveis de leitura, conforme a demanda em que seja necessária a mesma: leitura para revisão textual, retomada de tópicos, resumitiva, a que busca o prazer estético da língua... Havendo destaque também para o suporte em que está condicionada a leitura, possibilitando diferentes formas para o ato de ler.
14 de jan. de 2006
Pontos comuns sobre leitura, literatura, gramática e produção de texto
Fiz recentemente uma prova para o Colégio Pedro II, contrato de um ano. Análise de currículo (eliminatório) prova escrita (cinco questões) e entrevista (essas duas, classificatórias). Ainda não saiu o resultado, contudo, transcrevo aqui as respostas sobre algumas perguntas referentes a leitura, literatura, gramática e produção de texto em sala de aula, por acreditar ser este o pensamento mediano de um professor de português, atualizado, do ensino básico (ensino fundamental e médio). Não lembro das perguntas, não anotei, porém ao ler as respostas, o leitor compreenderá a que se refere o tópico.
1- A realidade virtual vem demonstrando a cada dia a mescla entre as diversas mídias, conteúdos e formas. O olhar sobre a sociedade é múltiplo, fragmentado, as ferramentas para análise devem posibilitar tal dinamicidade. Não é mais possível trabalhar períodos literários de maneira estanque, isolados de toda produção cultural da sociedade, em sua determinada época. É importante conjugá-los ao processo cultural que a sociedade construiu, em seus vários momentos, estabelecendo aspectos referenciais a partir de uma rede intertextual, plena em sua conjugação de sentidos. Desse modo, portanto, estudar um período literário não pode estar isento de um olhar múltiplo sobre toda produção cultural.
2- Valorizar o que o aluno traz em sala de aula, ensinando aquilo que lhe faz falta. Importante possibilitar situações em que o aluno tenha que utilizar determinados recursos lingüísticos para análise e reflexão da língua, para que possa reconhecer-se, num processo de construção coletiva entre alunos e professor, como sujeito autônomo da língua. Há que se elaborar conceitos gramaticais, num primeiro momento, mediante necessidades que o texto apresenta para análise, para, num segundo momento, apresentar nomenclaturas.
Próximo post transcrevo as outras três respostas.
12 de jan. de 2006
Férias de mim mesmo
Um mês e um dia. Sem querer, tirei férias de mim mesmo neste blog. O que fiz neste período? Terminei de ler Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar, assisti muitos DVD´s e apanhei bastante dos diários de classe da escola. Não fui ao teatro; porém, para este ano de 2006, pretendo ir ao menos uma vez por mês. Assim espero que seja com o cinema também. E com as exposições e ida aos museus também. Enfim, retomar uma época boa de minha vida, tempos idos em que não perdia bons filmes, boas peças, produzia ( escrevia uns tantos versos e me arriscava na pintura). Vamos ver o que 2006 tem para oferecer ( e se conseguirei cumprir, ao menos em parte, essas promessas).
11 de dez. de 2005
A sedução do discurso científico
Está saindo nas bancas o DVD da série "Cosmos", de Carl Sagan pela revista Superinteressante. Pretendo comprar e colecionar. O site Nomínimo noticiou o fato, mas se refere ao mesmo como indicado para crianças de 7 a12 anos (rsss). Passei desssa idade faz anos, porém ainda é um assunto que atrai minha curiosidade. Lembro de uma fase em que lia bastante literatura científica, voltada em boa parte para o público leigo. Dentre outros, li Breve história do tempo, de Hawking, e O bico do tentilhão, de Jonathan Weiner. Este foi para mim uma leitura maravilhosa. Trata-se do acompanhamento da vida dos tentilhões, numa das ilhas Galápagos, e suas recorrentes adaptações ao meio, expressão maior da teoria da evolução das espécies, de Darwin. Quanto ao outro, foi uma leitura decepcionante. Saí com mais perguntas e respostas frouxas, quase incompreensíveis. Porém há uma nova versão, ele reescreveu junto com um jornalista da área científica, preocupando-se, enfim, com os leigos. O discurso científico é sedutor. O discurso filosófico também, mas fiquemos, por agora, com o primeiro. Onde está a sedução? Para mim, está na organicidade de um sistema descrito no encantamento da lógica, sobretudo quando comparamos com a irracionalidade do mundo. Também acho que está na aventura da descoberta, no desafio mental, no jogo de linguagem. A ciência ainda (?) não é a resposta para o desafio do mundo, da vida. Mas não está desprovido do espectro do maravilhoso.
1 de dez. de 2005
jornalismo impresso X blog?
Eu nunca acreditei nisso. Evidente que existe uma crise na mídia impressa com o advento da internet, desde então. Mas, ainda assim, não acredito na "morte do jornalismo impresso". Imagino que uma solução seriam matérias mais aprofundadas, investigativas, porque em termos de velocidade, não há como comparar com a internet, e talvez por isso, acredito nos erros que esta velocidade de informação pode acarretar. Aliás, Baudrillard (se não me engano) já dizia que cada nova tecnologia cria um novo tipo de acidente. Também não acho que o blog será a grande fonte jornalística para o leitor. Deverá haver uma relação de interdependência: o blog como uma grande arena para discussão, espaço em que jornalistas e leitores vão poder questionar, opinar sobre a informação trazida pela informação impressa. Podem dizer o que for sobre a internet, o CD, o DVD, porém o fato mais relevante é que o papel, ou melhor, a impressão no papel persiste por pelo menos 500 anos, sem data para terminar.
17 de nov. de 2005
Lançamento de livro infantil
Márcio Leitão, poeta e escritor, velho conhecido de poesia, vai estar lançando o livro infantil Álvaro, o urubu, da editora Zeus, no 7o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no jardim do Museu de Arte moderna - MAM, no dia 20 de novembro, às 11 horas da manhã. O endereço é: Av. Dom Infante Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ. Se eu não me engano, este é o segundo livro infantil que ele está publicando...
7 de nov. de 2005
Lançamento de livro
Lançamento do livro Contos sobre tela, organizado por Marcelo Moutinho para a Editora Pinakotheke, vai acontecer no próximo dia 8 de novembro, a partir das 20h, na galeria da própria Pinakotheke (um sobrado de época lindo, lindo, na Rua São Clemente, Rio de Janeiro). A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.
Leituras na web
Tenho lido alguns blogs muito bons na internet. Textos ágeis, de boa leitura, temas interessantes. Resolvi partilhar minha leitura, então.
Sobre o Rio de Janeiro e eventos culturais, vejo sempre o blog do Marcelo Moutinho, escritor e jornalista: http://pentimento.zip.net/
Sobre Relações Internacionais, cotidiano, o blog de Mauricio Santoro e JD: http://www.osconspiradores.blogspot.com/
Sobre humor, o blog do meu amigo Henrique Rodrigues, escritor e poeta: http://www.fullbag.blogger.com.br/
Sobre política, os blogs dos jornalistas Josias de Souza e Ricardo Noblat http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ http://noblat1.estadao.com.br/noblat/
Por último, o blog do jornalista Jorge Pontual, repórter da Globo, que utiliza o blog para comentar sobre cultura, gastronomia, política, música (clássica, principalmente). Detalhe: quem gosta de Charles Baudelaire vai adorar o site. http://nyontime.blogspot.com/ Estes blogs são, para mim, leituras quase diárias.
20 de out. de 2005
Corpo discente
Para quem não sabe, trata-se de alunos, do conjunto de alunos. Tenho sido apontado por meus alunos do Segundo Grau no CIEP em Itaboraí, interior do Rio de Janeiro, como um dos mais perversos professores. Comentam que as minhas provas de português são difíceis e, o pior, têm dez questões! Eles não estão acostumados com uma prova tão extensa. Na verdade, não estão acostumados com a palavra escrita. Muito complicado... Praticamente não lêem nada, nem jornal de esportes, arrisco-me a dizer que o pouco contato com a escrita está condensada ao colégio. O CIEP não oferece cópias de textos para os alunos, os mesmos quase sempre reclamam quando precisam pagar para tirar cópia. Não é possível utilizar a biblioteca, da forma que gostaria. Há bons livros, mas em geral poucos têm oito ou nove de uma mesma edição. Freqüento bastante a biblioteca, já me disseram que aquela é uma das poucas da região, e, atualmente, quase não recebe novas remessas. Como suponho que o CIEP, desculpe, agora se chama " Brizolão", tenha cerca de 700 alunos, vi, até hoje, somente três alunas que realmente são leitoras. Não vejo mudança a curto prazo. Porém acredito que é preciso planejar atividades e possibilidades para que as futuras mães dessa geração possam relevar a importância da leitura na educação dos filhos. Não sei como poderia ser feito. Tenho andado pessimista por estes dias...
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